Divulgação
Divulgação

'Bandido Giuliano', clássico do cinema político italiano, é destaque na Mostra

Filme restaurado de Francesco Rosi foi um dos ícones dos longas politizados dos anos 1960 e influenciou brasileiros

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 21h10

O Bandido Giuliano (1962), de Francesco Rosi, merece ser colocado no panteão do grande cinema político italiano dos anos 1960 e 1970. A cópia exibida pela Mostra é fruto da restauração levada a cabo pela Cineteca di Bologna, em cooperação com a The Filme Foundation, de Martin Scorsese. É uma preciosidade, que influenciou demais o cinema em sua época e merece ser revista agora, quando justamente o cinema político tornou-se um capítulo problemático desta arte voltada ao entretenimento. Glauber Rocha, por exemplo, tinha em grande conta esse filme, inusitada “biografia” de um homem assassinado.

A história real é a seguinte: em 1950, quando tinha 28 anos, Salvatore Giuliano foi encontrado morto. O filme tenta a reconstituição desse crime e também da vida anterior de Giuliano que, se sabe, esteve envolvido com movimentos separatistas da Sicília e estava sendo perseguido por isso.

Para construir sua narrativa, Rosi assume tom francamente documental, registrando o ambiente social siciliano, suas disparidades sociais, a tradição de violência e o regime de opressão a que os camponeses são submetidos pelos “senhores”.

Esse tipo de estrutura social de desigualdade forneceu terreno fértil para o florescimento de grupos criminosos, dos quais a Máfia é a expressão maior. Houve casos também do chamado “banditismo social”, foras da lei que mantêm vínculos estreitos com sua comunidade. Em sua obra Bandidos, o historiador marxista Eric Hobsbawm define “bandidos sociais” como aqueles que são tidos como benfeitores por suas comunidades. Giuliano tinha em parte essa característica. Refazendo o crime (sem que a vítima jamais apareça), Rosi aplica um profundo raio X sobre a injusta Itália do seu tempo.

Nos anos 1960, O Bandido Giuliano influenciou cinemas do então chamado Terceiro Mundo não apenas pela temática, mas pela forma. O cangaceiro Corisco em Deus e o Diabo na Terra do Sol, e João Acácio em O Bandido da Luz Vermelha ocupam espaço simbólico importante no cinema brasileiro da época. A força da forma documental também foi incorporada por outras cinematografias.

Mais conteúdo sobre:
cinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.