Divulgação/Planeta Terra
Divulgação/Planeta Terra

Bandas nacionais são, finalmente, bem respeitadas

As atrações brasileiras do festival foram atendidas pela organização, com equalização e volume de som perfeitos

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 00h00

Em sua quarta edição - a segunda realizada no Playcenter - o Planeta Terra respeitou seu público e as bandas em termos da qualidade técnica e limpidez sonora. Foi-se o tempo em que atrações brasileiras, encarregadas de abrir os festivais, eram prejudicadas em termos de volume e equalização do som.

No ano passado, os cuiabanos do Macaco Bong já haviam provado desse privilégio, sendo a primeira banda a se apresentar no palco principal, com um som alto, digno da porrada instrumental que eles se propõem a fazer.

Desta vez, coube ao Mombojó abrir os trabalhos do festival, com decibéis surpreendentemente elevados, possíveis de serem ouvidos quase que o do outro lado do parque de diversões. No início do show, Samuel e Marcelo tiveram pequenos problemas com baixo e guitarra, respectivamente, mas nada que comprometesse o desempenho.

A banda pernambucana, que havia prometido chegar com peso, subiu ao palco principal pontualmente, às 16 horas, tocou para uma ainda diminuta, mas animada plateia. Em um show curto, de apenas 40 minutos, conduzido por muita vitalidade do vocalista Felipe - que tirou a camisa e deu cambalhotas no palco - e do baterista Vicente, o Mombojó tocou músicas de seus trabalhos anteriores e do disco recente, como Antimonotonia, Casa Caiada e Papapa.

No mesmo horário, no palco Indie, a banda de tiozões roqueiros República se apresentou para não mais do que 100 pessoas. De bom tamanho para o som deles. O público, naquela hora, ainda preferia a montanha-russa e os carrinhos de bate-bate.

Depois, ainda viriam outros grupos nacionais, todos muito abaixo da média, com exceção do Hurtmold. O sexteto paulistano tocou também no palco secundário, às 17 horas, com toda a qualidade de seu som e muitos temas novos. A plateia, mais volumosa em relação ao show anterior, olhava para os músicos, estática. A banda é criativa e competente, mas ficou provado que não combinava com o público do festival.

Ainda havia tempo para enfatizar mais ainda o lobby banal pelo StudioSP, com mais bandas habitués da casa do Baixo Augusta. Em vez de se preocupar em destinar o espaço do palco Indie para revelar novos artistas, a organização do festival preferiu optar por atrações já manjadas dos paulistanos. Pena que o som não passou de pasmaceira.

Às 18h30, os nada criativos da banda Holger mostraram mais uma vez que apenas sabem fazer uma cópia deslavada de rock britânico, mas chegaram a empolgar a plateia, que já praticamente lotava o espaço.

O Mika e o mico. O pior mesmo teve início às 17h30, descabidamente, no palco principal. Se, às 20h30, o festival foi incendiado com o baile gay do Mika, antes teve um verdadeiro mico protagonizado pelos pretensiosos Novos Paulistas. A reverenciada turma de Moraes, Pepeu e Baby, dos Novos Baianos, ficaria corada de ver o que os novatos de São Paulo fizeram no Planeta Terra.

Foi um desfiles de erros - exceto Tiê com sua camiseta de Tina Turner e Tulipa Ruiz com sua bela voz em Efêmera -, com Dudu Tsuda inventando de cantar, Tatá Aeroplano puxando um trava-línguas achando que reinventava a roda já gasta por Tom Zé, e Thiago Pethit, sem sal, movimentando os braços como se regesse alguma coisa. Infelizmente ser novo não significa apresentar novidades.

ALTOS

Curadoria. Programação do festival continua boa, sem se preocupar em demasia com os "nomões", mas também sem trazer furadas.

Nacionais. Deve ser por causa de alguma entressafra, mas faltou novidade entre os grupos nacionais este anos.

Diversão. O franqueamento às atrações do Parque de Diversões é uma das boas jogadas da programação, e dá um refresco para o pessoal que atravessa 10 horas de shows.

Para todos. Bares em quantidade adequada, cerveja gelada (ao menos até o início da madrugada) e limpeza eficiente mantiveram-se como pontos de destaque do festival.

Porta bitucas. Diferentemente do SWU, que levantava a bandeira ambiental, havia em quantidade suficientes e o material era de qualidade.

BAIXOS

Polícia para quem precisa. Ridícula a atuação da Polícia Militar, reprimindo o recolhimento dos jovens após a maratona, multando pais e taxistas e até carros de reportagem para "manter a ordem". Melhor criar bolsões adequados.

Folga VIP. A área VIP do patrocinador do festival "engole" um naco considerável de espaço para a plateia comum, que se obriga a ficar espremida diante do palco principal enquanto o pessoal beberica em cima de suas cabeças.

Lounges. Para a galera descansar, poderiam ser maiores e em maior número, com uma distância calculada dos palcos.

Informação. Os palcos

poderiam conter informações sobre as bandas que estavam tocando no momento, e também sobre as formações (nomes dos músicos). Funciona nas artes plásticas

NÚMEROS

10

atrações internacionais

5

bandas brasileiras

11

horas seguidas de shows

700 mil

watts de potência de luz

600

watts de potência de som

82

metros quadrados de área

26

ônibus para traslado do público

1.200

pessoas envolvidas na produção

450

Seguranças

19

países acompanharam a transmissão ao vivo do festival

70

milhões de audiência

20 mil

ingressos vendidos

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