Banda inglesa New Order fecha o Lollapalooza no domingo

Com muita tecnologia e alguma nostalgia, grupo faz show a partir das 20h30,

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2014 | 23h19

No dia 12 de março, no Carnegie Hall, em Nova York, o grupo britânico New Order convidou alguém para subir ao palco consigo numa jornada beneficente, a Tibet House Benefit. Era o cantor Iggy Pop, o "Padrinho do Punk Rock". Juntos, tocaram dois clássicos do Joy Division: Love Will Tear Us Apart e Transmission.

Para o baixista atual do New Order, Tom Chapman, de 41 anos, aquele foi um dos momentos mais admiráveis de uma trajetória curta, mas de muita sorte no pop rock. Nascido em Chevreuse, França, em 1972, Chapman foi convidado, em setembro de 2011, para ocupar o lugar deixado vago por ninguém menos que o baixista Peter Hook (lendário músico que incluiu a marcação dance no rock dos anos 1980). Iria tocar apenas em dois shows especiais, um em Bruxelas e outro em Paris. Mas está com a banda até hoje.

"Ainda estou em êxtase", afirmou Chapman, falando por telefone ao Estado, na semana passada. "Do momento em que Iggy chegou a Nova York, no nosso primeiro encontro, quando ouvimos aquela voz gutural, seu jeito lento de falar, até vê-lo ao nosso lado no palco, foi um instante marcante da minha vida. É um cara maravilhoso, um gentleman. Por um momento, foi como se estivéssemos de volta a 1976", afirmou.

Em 2009, Tom Chapman tocava numa banda chamada Bad Lieutenant, formada por Bernard Sumner (vocalista do New Order) durante um hiato do New Order. Quando Sumner e Peter Hook entraram em rota de colisão e Hook deixou o New Order, ele foi convocado para o lugar deste.

O tempo passa, mas a comparação entre Chapman e Hook nunca cessa. É como usar a camisa 10 de Pelé jogando no Santos, um peso eterno. "Honestamente? Não ouço o que dizem, não me interessa. Quem está tocando ali agora sou eu", disse Chapman, que revelou que nunca viu um show do grupo Peter Hook and the Light, banda atual do "dissidente".

"Eu era um menino quando ouvi Blue Monday (de 1983) pela primeira vez, mas me lembro perfeitamente de como a canção fez efeito em mim. O que era aquela bateria, tumtumtumacatacatacatum", ele imita. "Cresci com o New Order como parte da minha educação musical. Ainda hoje sou um fã. Eles sempre estiveram à frente do seu tempo. Quando me sentei com eles para acertar minha entrada na banda, me dei conta de quão pioneiros foram. Há 30 anos, não tinham a tecnologia que têm hoje à disposição, usavam sintetizador DMX nas linhas de baixo, inventavam sonoridade. E ao vivo era ainda mais difícil de executar tudo aquilo, eram sons difíceis de manipular", lembra.

"Hoje, nós continuamos usando muita tecnologia. É uma banda com inclinação high tech, é disso que se trata, é uma vocação inata." Para Chapman, tanto o Joy Division (que foi o embrião do New Order, banda que nasceu da JD após a morte do cantor Ian Curtis, em maio de 1980) quanto o próprio New Order têm influência similar na música pop da atualidade.

"São grupos cuja música ainda encontra ressonância nas bandas atuais porque estavam sempre se atualizando. A primeira, o Joy Division, tinha o carisma de Curtis e a habilidade de seus integrantes, Sumner e Hook à frente. Já o New Order veio com uma proposta mais experimental, reciclando-se a partir do grupo anterior."

O novo show do New Order, que encerra o Lollapalooza domingo, 6/4 (das 20h30 às 22h, no mesmo horário do hypado Arcade Fire), é daqueles espetáculos que oscilam entre a nostalgia e a reiteração. Uma sequência de canções como Ceremony, Bizarre Love Triangle, True Faith, The Perfect Kiss e Blue Monday, para quem aprecia o artesanato pop, traz um sentimento de se estar diante de uma obra clássica, algo como apreciar o Davi de Michelangelo.

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