Banda cult Au Revoir Simone no Brasil

Grupo nova-iorquino faz primeiro show no País domingo, no interior, como destaque da Virada Cultural Paulista

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2013 | 02h09

Sancta Barbara bene juvante ("Sob a proteção de Santa Bárbara", em latim). O lema bordado na bandeira da cidadezinha de Santa Bárbara d'Oeste, a 138 km de São Paulo, parece cair como pó de pirlimpimpim nas asas de Annie, Erika e Heather, as meninas do Au Revoir Simone, três garotas norte-americanas que tocam teclados, cantam como fadas e fazem uma música que é definida como "dream pop" (ou pop dos sonhos).

Pela primeira vez no Brasil, a banda cult do Brooklyn, Nova York, não vai tocar na capital. São a principal atração da Virada Cultural Paulista (a contrapartida estadual da Virada de São Paulo). Tocam às 18h30 de domingo em Santa Bárbara e, à 0h30, fazem novo show a 42 quilômetros dali, em Indaiatuba.

A banda de Annie Hart, Erika Forster e Heather D'Angelo é cultuada em todo o mundo. Na Europa, pensam que elas são francesas, por causa do nome - sugere alguma homenagem neofeminista a Simone de Beauvoir. Mas não poderia ser mais equivocado: são superamericanas e o nome veio em 2003, a partir de uma brincadeira do programa de TV do humorista Pee-Wee Herman.

Annie Hart falou por telefone ao Estado. A melhor notícia do Au Revoir Simone: elas, que desde 2009 não fazem um disco de canções inéditas, têm um novíssimo álbum pronto para ser lançado e pretendem tocar 5 músicas do novo trabalho no Brasil, avisou Annie.

O principal instrumento do trio é o teclado, e há uma tradição muito forte nisso no pop, especialmente nos anos 1980, gente como Giorgio Moroder, Depeche Mode. "E OMD (Orchestral Manoeuvres in the Dark)", completa Annie, antes mesmo de ouvir o resto da pergunta. "Quando começamos a banda, tocávamos teclados apenas porque era o instrumento mais confortável para a gente. Era o instrumento que possuíamos e todas nós tínhamos estudado piano desde crianças. Então era naturalmente confortável. Acho que foi só a partir do nosso terceiro disco é que passamos a prestar mais atenção no que fazia a velha escola do teclado e dos sintetizadores, e naquela época o Kraftwerk era algo que eu gostava. Mas eu nunca ouvi realmente Depeche Mode, não como fonte de influência. Éramos mais ligadas em indie rock, coisas assim."

Uma das garotas, Erika Forster, acaba de lançar um álbum solo, mas Annie não vê isso como um sinal de desagregação da irmandade Au Revoir Simone. "Ela é tão criativa. Em geral, nós sempre tocamos música por diversão em algumas outras circunstâncias que não a banda. Nós ficamos dois anos em descanso, fora da banda, mas Erika não consegue ficar quieta, ela é muito ativa. Teve necessidade de mostrar outras canções que não as que faz conosco."

O som delas é flagrantemente romântico e climático, assim como a poesia das garotas. "Bem, eu sou nova aqui, mas isso não quer dizer que eu tenha de responder a questões idiotas ou dar tiros no escuro. Sei que sou uma criança. Mantenho isso vivo. Isso torna as coisas mais difíceis. Eu me lembro de lembrar", diz a letra de Another Likely Story (do celebrado disco Still Night, Still Light, de 2009).

Já tocaram em uma retrospectiva dos filmes de David Lynch, na Fondation Cartier, a convite do próprio cineasta. O pessoal da moda delira com elas. Fizeram música para um desfile da francesa Ivana Helsinki e Kate Spade. Suas músicas podem ser ouvidas em séries de TV como Grey's Anatomy e Ugly Betty. "Em geral, cinema e moda não têm a menor influência quando compomos. Eu geralmente falo de coisas que me afetam emocionalmente, coisas que eu vivo no dia a dia. Talvez isso possa dar essa ilusão cinemática, porque tem um certo pique de cinema, mas são coisas da minha vida real", diz Annie.

Ela falou também sobre o Brasil. "Tenho uma amiga que estuda sociologia e a economia em países emergentes e eles me falaram bastante sobre o Brasil. Sei que é uma visão meio de economia, mas elogiou muito o povo brasileiro, e disse que é um país lindo. Estou animada."

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