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Ballets de Monte-Carlo apresenta 'Romeu e Julieta' no Brasil

A centenária companhia tenta rever a dança tradicional com abordagem contemporânea

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES - O Estado de S.Paulo,

03 Outubro 2012 | 03h10

O clássico Romeu e Julieta foi o título escolhido pelo Ballets de Monte-Carlo para marcar sua passagem pelo Brasil. A companhia, que se apresenta a partir de amanhã em São Paulo, traz uma particular leitura da obra de William Shakespeare e da música de Sergei Prokofiev. Nesta versão, a conhecida tragédia carrega os traços da dança acadêmica, mas traz a evidente preocupação de conectar-se com novas plateias. Como se quisesse se situar, precisamente, entre tradição e contemporaneidade. "É uma peça que combina uma forte técnica clássica e tem a capacidade, através de habilidades teatrais, de se ancorar à modernidade", disse Jean-Christophe Maillot, coreógrafo e diretor da companhia, em entrevista ao Estado.

Criada em 1996, a coreografia não é a única em que Maillot busca figuras da literatura como inspiração: Cinderela, A Bela Adormecida e Fausto também despontam em suas criações. "Os mitos ainda estão vivos. Esses temas falam a todas as gerações", defende o artista.

Ainda que faça parte, portanto, de todo um repertório de inspiração clássica, Romeu e Julieta tornou-se emblemática por algumas particularidades. Primeiro, por permitir que os dançarinos deem mostras consistentes de suas habilidades. Como par protagonista, Bernice Coppieters e Chris Roelandt ambicionam transmitir a violência e o arrebatamento da paixão adolescente com movimentos vigorosos.

Outro aspecto a ressaltar em Romeu e Julieta é a forma como uma série de linguagens artísticas estão entremeadas. As técnicas teatrais são essenciais para dar dimensão psicológica à obra. Pode-se notar, porém, que há ainda aproximações com o cinema - pelo ritmo da narrativa - e com a pintura. Tão presente quanto a música de Prokofiev são as telas de Ernest Pignon-Ernest, que compõem painéis que se movimentam. "Este ballet foi o detonador de uma particularidade artística do Ballets de Monte-Carlo: a visão de um coreógrafo (diferentemente de um escritor ou de um pintor) é sempre parte de uma colaboração entre o compositor, o designer e artistas coreográficos", aponta Maillot. "Ao reunir Ernest Pignon-Ernest, pintor francês famoso, Prokofiev e o figurinista Jérome Kaplan, nós perpetuamos a tradição iniciada pelos Ballets Russos em Monte-Carlo, no início do século 20, e também atestamos nosso desejo de permanecer vivos."

A origem do Ballets de Monte-Carlo remonta a 1909, quando uma companhia de dançarinos de São Petersburgo e Moscou, comandada por Sergei Diaghilev, se apresentou em Paris. A apresentação não marcou só a estreia desse conjunto, que ficaria conhecido como Ballets Russos. Era também a primeira vez que um número de dança surgia como um espetáculo completo, e não como mero apêndice de uma ópera ou de um número musical.

Diaghilev fez da companhia a maior de seu tempo. Por ela passaram bailarinos como Vaslav Nijinsky e coreógrafos como Marius Petipa. Também foi nesse ambiente que o então jovem e inexperiente George Balanchine - um dos mais importantes nomes da dança no século 20 - concebeu seus primeiros trabalhos. Apenas após a morte de Diaghilev, o Ballets transferiu-se para Monte Carlo. Chegou a ser dissolvido nos anos 1950. E renasceu em 1985, por desejo da princesa de Mônaco.

A chegada do francês Jean-Christophe Maillot trouxe novo impulso à companhia. Nomeado como seu diretor em 1993, o coreógrafo encontrou um grupo que queria se reinventar, mas sem perder o lastro de sua longa história.

"A minha trajetória me liga à dança acadêmica, mas estou ciente da necessidade de trazer para as plateias de hoje novos códigos. Ser contemporâneo é olhar para o mundo como ele é, e ser clássico é se lembrar das suas raízes."

BALLETS DE MONTE CARLO

Teatro Alfa. R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000.

5ª, 21 h; 6ª, 21h30; sáb., 16 h e 21 h. R$ 60/R$ 195.

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