Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro dança em São Paulo

Gestos simples do dia a dia estão nas duas obras de Roland Petit apresentadas pela companhia

HELENA KATZ - ESPECIAL PARA O 'ESTADO',

31 de agosto de 2012 | 03h13

(Ballet do Theatro Municipal do Rio se apresenta no Teatro Alfa. Foto: Divulgação)

Duas obras de Roland Petit (1924-2011), coreógrafo pouco apresentado no Brasil, ambas com música de um mesmo compositor, Georges Bizet (1838- 1875). Reunindo em um programa único Carmen (1949) e L'Arlesiènne (1974), o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro - BTMRJ dança em São Paulo, no Teatro Alfa, desta sexta-feira, 31, até o domingo.

A oportunidade é única para os que se interessam por balé, porque soma duas situações: as da pouca familiaridade, tanto com o coreógrafo, como também com a companhia, pois o BTMRJ, apesar da proximidade geográfica entre as duas cidades, circula muito pouco por SP.

Dentre as companhias oficiais brasileiras (aquelas financiadas por governos municipais ou estaduais), a do Rio de Janeiro, a mais antiga delas, se distingue pelo compromisso com a tradição. Dedica-se aos balés de repertório e a produções contemporâneas que dialoguem com essa herança.

Dirigida desde 2009 por Hélio Benjani, conta com 97 bailarinos no seu elenco. Deles, 40 vieram dançar em São Paulo. Em entrevista telefônica, ele explicou a escolha do programa: "As duas obras comunicam bem a nossa proposta de reafirmar sempre o nosso vínculo com o balé e, no seu caso específico, servem também para demonstrar o domínio técnico e também artístico dos bailarinos, pois nelas os personagens têm uma carga forte de interpretação, que pede muito refinamento".

Profissionalmente ligado à companhia há 29 anos, na qual dançou todos os papéis dos grandes clássicos, Benjani considera que o BTMRJ tem um papel importante no nosso país: "As escolas não param de formar gente e o sonho de dançar O Lago dos Cisnes é o que ainda alimenta a grande maioria. Não é à toa que tantos vêm para as nossas audições. Na última, por exemplo, foi necessário separar quatro turmas de 40 meninas cada uma e duas de meninos".

As duas montagens trazidas a São Paulo estrearam no ano passado e tiveram a supervisão de Luiggi Bonino, um dos assistentes de Roland Petit. Robert Tewsley, bailarino londrino que já dançou no New York City Ballet, no Stuttgart Ballet, no Royal Ballet e no Ballet Nacional do Canadá, e que desde 2004 atua como freelancer, foi convidado para a montagem carioca e também para a turnê em São Paulo.

Roland Petit foi o primeiro a usar a partitura integral de Carmen em um balé e Zizi Jeanmaire, sua mulher e musa, consagrou-se no papel, celebrizando a coreografia. Figurinos que deixavam o corpo muito exposto, erotismo e uma Carmen fumando em cena foi uma combinação forte demais para 1949. No Canadá, as autoridades ameaçaram proibi-la. Hoje, soma mais de 5 mil apresentações, tendo se tornado o mais popular dos balés de Petit.

L'Arlesienne tem um ato só, mas se mantém no viés característico das obras do século 19, pois conta uma história de amor mal-sucedida.

"Roland Petit trabalha com uma combinação que muito nos interessa, pois sabe juntar desafios técnicos e interpretativos", continua Benjani, que revela que, na próxima temporada, uma terceira montagem de Petit, Notre-Dame de Paris, será incorporada ao BTMRJ. "Seria agora, mas com a tragédia ocorrida, foi necessário adiar, pois somente no próximo mês voltaremos a ensaiar no nosso espaço." Hélio refere-se ao desabamento dos prédios da Avenida 13 de Maio, em janeiro de 2012, no centro da cidade do Rio de Janeiro, que atingiu o espaço de ensaio da cia.

Confirmando a sua vocação, a companhia encerrará 2012 apresentando Coppélia e O Quebra-Nozes no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

BALLET DO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

Teatro Alfa. R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. Hoje e amanhã, 21 h; dom., 18 h.

R$ 40/ R$ 110.

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