Ballet de España abre turnê no Brasil

Pela primeira vez, o Ballet Nacional de España desembarca no País para apresentar o clássico Fuenteovejuna, de Antonio Gades, uma de suas coreografias preferidas. O espetáculo abre a turnê da companhia hoje e amanhã no Teatro Municipal do Rio, chega a São Paulo para duas apresentações, sexta e sábado, no Credicard Hall, e depois segue para Aracaju, no dia 12, e Salvador, no dia 14. O público carioca será prestigiado com a presença do coreógrafo, que receberá homenagens da companhia.A temporada marca o aniversário de 25 anos da companhia com um programa especial. "As obras que compõem a turnê são representativas e Fuenteovejuna, que será apresentada no Brasil, é uma coreografia histórica - composta a partir de um texto homônimo de Lope de la Vega do século 16 -, além de aglutinar grande variedade de estilos de dança, que vai muito além do flamenco, como a dança bolera, a castellana e também a seguidilla. As obras de Gades sempre são magníficas, não tínhamos nenhuma peça dele no repertório e esta é importante principalmente por representar muito bem a cultura da Espanha", afirma a diretora artística da companhia Elvira Andrés.O espetáculo foi criado em 1994, em Gênova, para a companhia do próprio Gades, que foi entrevistado pelo Estado por e-mail. Após várias negociações, a coreografia foi incorporada ao repertório do Ballet Nacional de España em 2001. "Toda a montagem foi feita pessoalmente pelo próprio Gades, que cuidou de todos os detalhes para que tudo ficasse como na versão original, o que demorou alguns meses. Foram mantidos os figurinos, cenário e as cores. A partitura coreográfica é a mesma", explica a diretora artística.Na sua opinião, como está o flamenco hoje? Ainda são respeitadas as tradições? O que acha das inovações e misturas com outras danças , o "flamenco fusion", realizadas por alguns artistas?Antonio Gades - Não concordo com muita coisa. Hoje as pessoas que assumiram o comando das rádios, televisões e meios de comunicação em geral, estão mais preocupadas com o lado comercial de tudo, em vender ingressos, em vender CDs, na audiência... Fazem concessões, que para mim são inimagináveis, inaceitáveis. Para mim, o flamenco é uma religião. Ainda bem que existe sempre uma vertente que mantém a tradição e a importância dessa dança intactas.O sr. foi o pioneiro a resgatar o flamenco. Quais foram as suas dificuldades?Não gosto de me ver como um pioneiro na recuperação do flamenco, digamos que consegui catalisar, pesquisar e estudar várias tendências do flamenco que existiam na época, mas acho que o mais importante foi o resgate de várias danças do folclore espanhol, que poderiam ser utilizadas com o flamenco. Meu maior mérito foi dar unidade a todo esse tesouro vindo de várias regiões. Mas tudo o que fiz veio de muito estudo, muita pesquisa, muito sofrimento criativo, sou um coreógrafo muito intenso.O que significa para o sr. apresentar Fuenteovejuna atualmente? Considero Fuenteovejuna uma das mais importantes obras que criei. Demorei quase três anos para completá-la. A história é verdadeira, fala da luta contra a opressão, não parece atual? Acho que sempre será atual e mais do que nunca, a hora para apresentar é essa, com todas as opressões do mundo à tona. Fuenteovejuna foi um desejo que eu tive ao conhecer melhor a obra de Lope de Vega e foi também uma obra em que consegui reunir elementos diversos do riquíssimo folclore espanhol. Nela inseri muitas danças, até então não usadas. E quis imprimir uma plasticidade à obra que traduzisse um pouco o ânimo da história. É um de meus trabalhos favoritos.

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