Ballet da Ópera de Lyon no Municipal

O Ballet da Ópera de Lyon apresenta-se sábado e domingo no Teatro Municipal de São Paulo. O público poderá conferir a montagem de Carmen, do consagrado coreógrafo sueco Mats Ek, e Petite Mort, de Jiri Kylián, criação do diretor artístico do Nederlands Dans Theater, o grego Yorgos Loukos. O grupo está em turnê pelo País, iniciada no fim de semana passado, no Rio, e passará ainda por Porto Alegre.Pelo nível dos coreógrafos, percebe-se que Loukos investe em qualidade. A montagem da história da cigana Carmen, de Bizet, foi feita pelo diretor do Cullberg Ballet da Suécia, em 1992. Ek destaca a diferença entre a Carmem, uma mulher independente, que escolhe seus parceiros, e Don Jose, um homem conservador e apaixonado. O coreógrafo combina pontos de vista de Mérimée e Bizet em sua adaptação e brinca com a postura masculina e don juanesca de Carmem e a feminina de Don Jose. Conta a história a partir da visão de Don Jose, antes de sua execução pelo assassinato de Carmen. Também a personagem Micaela é valorizada por Ek, uma figura que representa a voz da maternidade e não existe na versão de Mérimée. Já Kylián criou Petite Mort especialmente para o Festival de Salsburgo, para o segundo centenário da morte de Mozart, em 1991. O coreógrafo escolheu o adágio do Concerto para Piano KV 488 e o andante do Concerto para Piano em Dó Maior. Seis homens, seis mulheres e seis fólios, que funcionam como partners, dividem o palco e apresentam uma coreografia que trabalha com a agressão, a sexualidade, o silêncio e a vulnerabilidade. Petite Mort significa, ao pé da letra, "pequena morte" e serve como paráfrase para o orgasmo nos idiomas francês e árabe.O diretor do Ballet da Ópera de Lyon entende a dança como um lugar para explorar a psicologia do comportamento. Para comprovar essa tendência, a companhia vai trazer, para a próxima temporada, Teero Saarinen, Pascal Toussot, William Forsythe, Trisha Brown, entre outros grandes nomes.Mas Loukos não investe apenas nos coreógrafos já consagrados, procura manter o equilíbrio e também aposta em novos talentos, o que já se considera uma característica do diretor. Há 15 anos monta um repertório de dança contemporânea rico pelo número de coreografias e estilos variados. Elaborou algumas readaptações de clássicos que percorreram todo o mundo, como Coppélia, de Magy Marin, e Romeu e Julieta, de Angelin Preljocaj, já vistos no Brasil em visistas anteriores da companhia. Outra marca é a qualidade excepcional dos 31 bailarinos do Ballet, que conseguem acompanhar a diversidade proposta pelo diretor.Ao término da turnê pelo Brasil a companhia deve viajar para o sul da França e para a Grécia e encerrar o ano na Europa e nos Estados Unidos. Neste país, o Ballet fará uma turnê de sete semanas, com Solo for Two e Carmen, com 24 apresentações em 12 cidades e uma semana na prestigiada Brooklyn Academy of Music, em Nova York. Será uma noite dedicada a coreógrafos americanos e o repertório contará com Quartete, de William Forsythe, e Newark, de Trisha Brown. Essas apresentações marcam uma fase importante para o grupo.Ballet da Ópera de Lyon. Sáb., às 21h; dom., às 17h. De R$ 15 a R$ 120. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.