Balé selvagem nos mares

Codiretor Jacques Cluzaud fala sobre o magnífico Oceanos

Luiz Carlos Merten / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2010 | 00h00

Desafio. Mais de 4 anos de filmagem realizadas em cerca de 50 locações ao redor do mundo.

 

Jacques Cluzaud é o codiretor de Oceanos. Ele gosta de citar o produtor do filme, com quem divide o crédito de direção, Jacques Perrin - sim, o ator de Valerio Zurlini nos clássicos A Garota com a Valise e Dois Destinos/Cronaca Familiare. "A natureza é a verdadeira autora de Oceanos." Uma autora que pode ser caprichosa. No sábado à noite, haveria uma sessão especial ao ar livre, no Forte de Copacabana. Foi cancelada, por causa da chuva e do vento que se abateram sobre o Rio. Embora decepcionado, Cluzaud, que regressaria ontem para a França, prometeu permanecer na cidade por mais um dia, para comparecer a uma nova sessão do filme.

Oceanos é o resultado de um trabalho de quatro anos e meio de filmagem. As equipes de mergulhadores comandadas pelos dois diretores filmaram em cerca de 50 locações ao redor do mundo. Você já viu imagens impressionantes do fundo do mar, mas nunca como as deste filme. Cluzaud e Perrin desfazem mitos e filmam de perto o grande tubarão branco, num balé da câmera que vai fazer parte das suas experiências inesquecíveis no cinema.

O filme passa hoje em São Paulo, no Festival Varilux, mas deve estrear em breve, distribuído pela PlayArte. Cluzaud foi assistente de direção em ficções como Indochina, de Régis Wargnier. Ele estreou com o drama para TV Constance e Vicky, em 1990. Foi Jacques Perrin quem o cooptou para o documentário. Entre outros filmes, fizeram Migração Alada (Le Peuple Migrateur), sobre os pássaros. Dos ares para os oceanos.

O projeto inicial era fazer uma ficção, sobre um lendário dirigente do Greenpeace. A parte ficcional empobrecia a documentária e Cluzaud e Perrin, que começaram captando imagens marítimas, não quiseram sacrificar na montagem o que estavam conseguindo. O projeto mudou, no meio do caminho. Virou documentário.

Não um documentário como os outros. "Gosto muito do que disse um crítico norte-americano, que Oceanos foi filmado e montado como ficção", diz o diretor. Assim como o desafio, em Migração Alada, era voar com os pássaros, entre eles, aqui era fazer com que o espectador se sentisse como um peixe, entre os peixes. "O que afasta os animais marítimos são nas bolhas de ar dos mergulhadores. Criamos um sistema especial de reciclagem do ar para evitar as bolhas."

Isso permitiu chegar mais perto do tubarão branco do que qualquer outro cinegrafista. O filme discute a poluição dos mares, mas essa não é a prioridade. "Jacques (Perrin) gosta de dizer que Oceanos é engajado, não militante", define Cluzaud. A revista Positif acertou ao dizer que Oceanos, mais do que um documentário sobre a vida marinha, é um balé aquático, uma ópera selvagem.

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