Balé Scala de Milão traz Giselle a São Paulo

A história de uma jovem campesina que vive feliz até se apaixonar por um conde que, encantado por ela, decide se passar por um simples lenhador para conquistá-la. Quando o impostor é desmascarado, a garota, que tem namorado, enlouquece de tristeza e morre de amor. Assim é Giselle, o último balé romântico, um dos maiores clássicos da dança, interpretado por umas das mais respeitadas companhias do mundo: a do Teatro Scala de Milão.

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2012 | 03h09

Em sua terceira turnê (1983 e 2004) pelo País, desta vez com o russo Makhar Vaziev à frente da direção artística, a trupe mais célebre do teatro musical do mundo acrescenta dois novos destinos às suas apresentações, Belo Horizonte e Goiânia, e traz no elenco bailarinos consagrados, como Marta Romagna, Petra Conti e Eris Nezha. "Estamos muito felizes com esta nova etapa. Além de levar o balé a novas cidades, é uma bela forma de quem gosta ter a oportunidade de ver ao vivo. E quem não conhece, tomar gosto", comentou Vaziev ao Estado sobre a turnê que chega hoje a São Paulo, no palco do Teatro Municipal.

Seria esta a forma de dar continuidade a uma arte que tem fama de não conquistar tão facilmente as novas gerações? "Seria e é. O balé é uma arte eterna e atemporal. Não faço, aliás, distinção entre o clássico e o contemporâneo. São duas formas de se fazer a mesma arte. A diferença é que o clássico nos exige mais disciplina formal", acrescenta o diretor e bailarino que iniciou a carreira em 1979, no Ballet Kirov, em que foi solista e primeiro-bailarino nos anos 80.

Antes de assumir a direção do Scala, Vaziev foi, de 1995 a 2008, diretor do Kirov no Teatro Maryinsky em São Petersburgo. Durante os 13 anos em que comandou a companhia russa, Vaziev estabeleceu diálogo com grandes nomes do balé contemporâneo e com diversos dos maiores coreógrafos do século 20, como Hans van Manen, George Balanchine, John Neumeier, William Forsythe, Harald Lander, entre outros. "A responsabilidade de estar à frente de companhias que fazem parte da história do balé é imensa. E mais que preservar o passado, e mantê-lo vivo, acredito que precisamos manter a comunicação, a contaminação e a colaboração com o tempo presente e seus artistas", comenta o diretor que, não por acaso, em 2002 foi nomeado Artista Honorífico da Rússia e também recebeu o prêmio Spirit of Dance na categoria.

Esta capacidade de unir o clássico ao contemporâneo em uma linha tênue e orgânica faz com que Vaziev seja do tipo que acredita que mais até que arte, o balé deveria ser praticado por todos e que nunca é tarde para aprendê-lo. "Não importa se você já não é mais adolescente ou se nunca vai ser profissional. O que importa é a dança. Assim como na nossa companhia, tanto ou mais que o peso histórico que um teatro como o Scala tem, o importante é trabalharmos em equipe, fortalecendo nosso equilíbrio", filosofa um sempre apaixonado Vaziev, fazendo jus ao grandes coaches olímpicos de sua Rússia natal.

Se com esta passagem pelo Brasil Vaziev e sua trupe conseguirem encantar um pouco mais os já seduzidos pelo balé e arregimentar novos fãs, seu dever estará cumprido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.