Balé ganha companhia no Rio

O Rio começa a ganhar sua companhia municipal de balé. Esta semana, foi inaugurada a sede, num prédio de 1.600 metros quadrados espalhados em três andares, na zona portuária, onde funcionará também a escola de dança do município, com capacidade para cem novos alunos por ano. Ambas, escola e companhia, serão dirigidas pelos bailarinos e coreógrafos Roberto de Oliveira e Richard Cragun, egressos do Balé de Stuttgart, da Alemanha, onde o segundo foi o partner da brasileira Márcia Haydée durante mais de 20 anos. Os dois pretendem criar a mesma filosofia alemã no Rio."John Crango, o criador do Stuttgart Ballet, dizia que toda escola de dança precisa ter sua companhia e vice-versa. Uma se realimenta da outra e é isso que estamos criando aqui", disse Cragun na festa de inauguração da sede, na segunda-feira. "É um sonho antigo, mas estamos começando devagar. Estreamos com 15 bailarinos e, já no segundo semestre, começa a funcionar a escola com capacidade para 100 alunos. O primeiro espetáculo ocorre em fevereiro, no Teatro Carlos Gomes."Roberto de Oliveira lembrou que o Rio tem um intenso movimento de dança. "Há muitas companhias, do Balé do Theatro Municipal às independentes, o Panorama da Dança, que já está no calendário mundial, e pelo menos 20 projetos sociais que usam a dança como forma de resgate e formação das populações carentes" lembrou Oliveira. Os futuros bailarinos devem sair desses projetos. "Queremos trazer para a escola os que se destacarem e profissionalizá-los na companhia, não só no palco, mas também nas atividades paralelas ao balé. Vamos privilegiar a formação de bailarinos, pois há carência deles em todo o mundo."A escola de dança começa a funcionar oficialmente no segundo semestre de 2002, mas as aulas já começaram para um grupo de 44 meninos vindos da Companhia Étnica de Dança e Teatro de Carmem Luz, e da Casa do Pequeno Jornaleiro, dois dos projetos sociais. "Num futuro próximo, haverá audições para alunos e os 30 profissionais que pretendemos ter na companhia. Por enquanto, são 15 bailarinos e bailarinas, vindos dos Municipais do Rio e de Niterói", adiantou Roberto de Oliviera. "Quando a companhia estiver pronta, criaremos um grupo de repertórios que poderá ter programas assinados por coreógrafos consagrados mundialmente, Willian Forsythe, John Neumeier ou Jirí Kylián."O DeAnima, escola e companhia, será mantido com R$ 2 milhões anuais da prefeitura, que pagou também a reforma da sede (orçada em R$ 560 mil). Para quem desconhece os meandros da burocracia é bom esclarecer que o Theatro Municipal, apesar do nome, é administrado pelo governo do Estado, que mantém seus corpos estáveis: a orquestra, o coro e o corpo de baile. A idéia da prefeitura é ter o mesmo naipe em nível municipal. "O DeAnima vai funcionar em sintonia com o Hall Sinfônico, que deve entrar em atividade até 2004, com seus corpos estáveis, e com o centro coreográfico, que começa a ser construído", disse o secretário Municipal das Culturas, Ricardo Macieiras. "Hoje, o Rio já está no mapa da dança e essas três instituições vão acentuar essa presença."

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