Balé Folclórico da Bahia, domingo em SP

O Balé Folclórico da Bahia é uma das poucas companhias que tem agenda programada para daqui a cinco anos, com turnês internacionais. Em Salvador, atrai turistas todas as semanas ao Teatro Miguel Santana, no Pelourinho, em temporada permanente. Agora pretende lotar o Teatro Municipal de São Paulo com a coreografia Rapsódia Nordestina, que estréia no domingo. Essa coreografia foi criada em virtude das comemorações dos 500 anos de Brasil. Para dar início ao trabalho, foi realizada uma pesquisa baseada nas danças e costumes de cada Estado nordestino. "Após um vasto levantamento de dados e tradições, descobrimos que há danças parecidas em outras regiões como aquelas que já conhecíamos na Bahia. Pudemos traçar um paralelo entre elas como o maracatu rural, típico em Pernambuco, com o baiano maracatu de caboclos", observa o diretor artístico Walson Botelho, conhecido como Vavá. A peça é dividida em oito etapas, cada uma referente a um estilo de dança: boi-bumbá, xaxado, ginga, maracatu rural, maculelê, samba de roda, capoeira e afixirê. "Resolvemos dividir a coreografia dessa forma para evidenciar a influência africana na nossa cultura. Já conhecíamos esses traços na dança baiana, agora mostraremos sua presença em todo o Nordeste", diz. "Em todos os nossos trabalhos procuramos celebrar a herança afro", avalia. Esse foi o mote para a fundação da companhia. Em 1988, Walson Botelho e Ninho Reis resolveram reunir artistas que expressassem toda a riqueza do folclore baiano. No início, a casa de um dos fundadores foi transformada em sala de ensaio e o centro para organizar todos os eventos, até mesmo confeccionar figurinos e cenário. O grupo arriscou: fundiu a capoeira e a dança afro, buscando uma maneira alternativa para expressar as manifestações regionais, tornando-as agradáveis ao público que as desconhece. "Criamos um estilo comprometido com a arte, ao mesmo tempo que é vendável", explica Vavá. Para ele uma companhia precisa ter essa característica. "Vivemos em um mundo em que precisamos vender os nossos espetáculos, atrair platéia", comenta. A fórmula deu certo. O grupo tornou-se mais conhecido no exterior que no Brasil. Considerado pela crítica Anna Kisselgolf do jornal The New York Times, como uma das mais importantes companhias de dança negra do mundo, o balé participou da abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália. Na França, a homenagem veio no Festival Mundial do Folclore e um convite de Guy Damert para marcar presença na Bienal de Lyon. "Infelizmente posso dizer que já dançamos nos melhores palcos do mundo, mas aqui não temos espaço, principalmente pela falta de patrocínio", reclama Vavá. "Falta às empresas a iniciativa de apoiar uma companhia nacional que pode levar uma marca a percorrer todo o mundo." O Balé Folclórico da Bahia mantém um segundo elenco em atividade permanente no Teatro Miguel Santana, no bairro do Pelourinho, centro histórico de Salvador, com apresentações de segunda a sábado, enquanto os 32 bailarinos viajam sem parar. A companhia também desenvolve um projeto de cunho social. "Levamos a dança para 200 crianças e adolescentes de classes sociais desfavorecidas e algumas poderão integrar o elenco do BFB." Serviço - Balé Folclórico da Bahia. Domingo, às 18 horas. De R$ 15,00 a R$ 60,00. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698

Agencia Estado,

20 de setembro de 2001 | 17h02

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