Balé de SP está com a agenda cheia

Bailarinos e a direção do Balé daCidade de São Paulo estão empolgados. A companhia já está comboa parte da agenda programada, o que para um grupo oficial nãoé muito comum. No geral as coisas são acertadas com poucos diasde antecedência. Os bailarinos enfrentam o desafio de duas novascoreografias, quatro apresentações no Teatro Municipal, umaturnê por sete cidades da Europa e um espetáculo no TeatroMunicipal do Rio de Janeiro. Mas a diretora, Mônica Mion, quermais. O que está certo é que a companhia vai estrear um novotrabalho em julho. O coreógrafo israelense Rami Levy foiconvidado para criar uma coreografia especial para o grupo,ainda sem um tema definido. Um outro coreógrafo foi sondado peladiretora, mas não confirmou sua presença. "É um artistaitaliano muito despojado, seu estilo tem a cara de São Paulo,mas só direi depois que estiver tudo certo", faz suspense. A diretora destaca que o público poderá conferir aremontagem de algumas coreografias, uma forma de mostrar aosmais jovens um pouco da trajetória da companhia. Na viagem, emsetembro para Alemanha e Suíça, serão apresentados setetrabalhos: Z, Máscaras do Tempo, Dualidade,Sinfonia em Réquiem, Lac, Interlúdio ePlenilunio. Os bailarinos, que este ano somam 40 nas duas companhias farão aulas com professores convidados, como Gícia Amorim, queleva as técnicas de Merce Cunningham, Alexander Alexandrov,professor do Batsheva, também terão aulas de clássico entreoutros. "Queremos ampliar as referências dos artistas assimcomo estamos investindo nos nomes mais experientes da companhia2 para transmitirem aquilo que sabem aos mais novos." A veterana Cláudia Palma está em processo de criação deum novo espetáculo com a turma da cia. 2, o qual chega ao palcodo Teatro São Pedro em maio. A peça trata de assuntos e imagensrelacionados à terceira idade. "A coreografia está sendodesenvolvida em conjunto com o intuito de criar algo específicopara os bailarinos mais experientes e, ao mesmo tempo, tomandotodo o cuidado para não cair na caricatura, muito menos narepetição", avalia Mônica. Projetos - Fora o que já está confirmado, o grupo temprojetos audaciosos para o decorrer do ano. Um envolve o artistaplástico Guto Lacaz. "A idéia surgiu depois que trabalhamosjuntos. Lacaz cuidou do logotipo do Balé, nos aproximamos e elesugeriu fotografar os bailarinos na cidade", comenta Mônica."Fiz o projeto gráfico para a companhia e nesse período em queconvivi com eles tive uma série de idéias, o que despertou aminha atenção para novos projetos. Certa vez, quando estava noParque do Ibirapuera, pensei em utilizar a cidade como pano defundo para a dança", explica o artista.Para Guto, o Balé da Cidade deve dançar "na cidade". A proposta do artista plástico é a de levar bailarinos pararealizarem aparições-relâmpago em pontos turísticos, em frentede momumentos e locais lotados, como estações de metrô emhorário de pico. "Um fotógrafo registraria essas imagens queseriam transformadas em um calendário ou até mesmo em outrasvariantes mais sofisticadas, como um curta-metragem, vinhetaspara televisão, entre outros", diz Lacaz. "Resolvemos aproveitar essa idéia para somar àsatividades de comemoração do aniversário de 35 anos da companhia no ano que vem. Seria um registro diferente do grupo", afirmaMônica. "Além do mais, o conceito é novo e plasticamentebonito", completa o artista. O Balé da Cidade espera, aindapara este ano, organizar o arquivo e, na ocasião do aniversário,abri-lo para o público. De acordo com a diretora, alguns pesquisadores foramconvidados para contar com detalhes a história do Balé na formade um livro. "Ainda não temos nomes confirmados, o que devesair ainda neste mês. Essa pessoa também será a responsável pelaorganização de documentos, programas de espetáculos, fotografiase vídeos." Outro projeto que está na manga será realizado com oapoio do diretor de teatro Naum Alves de Souza. A sede dacompanhia recebe todos os meses alunos de escolas públicas paraconhecer o dia-a-dia dos bailarinos e técnicos. A moçadinhapercorre todos os cinco andares do prédio, conhecem todas asfunções e os profissionais envolvidos com o mundo da dança,acompanham os ensaios e, por fim, assistem a um miniespetáculo.Agora, diretora e companhia querem ampliar. "Queremos umtrabalho didático, interativo, que possa ser apresentado em umpalco, mas também nas ruas e praças, enfim, que seja dinâmico." A coreografia é inspirada nas danças populares efolclóricas. "Pesquisaremos as coincidências musicais e asraízes de cada uma e as crianças fariam com papel o figurino",observa a diretora. Outro aspecto é aproximar as crianças douniverso da dança. "Ser bailarino é ser um profissional comoqualquer outro; temos horário de trabalho, somos pessoas decarne e osso, com sonhos e problemas. Apresentar aos jovensesse mundo ajuda a destruir preconceitos, formar platéia eincentivar as artes ou profissões ligadas." Para a diretora,popularizar a dança é uma das funções do Balé da Cidade. Essesprojetos estão no papel e precisam de apoio, patrocínios, paraserem postos em prática.

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