Balé de Frankfurt faz turnê histórica no País

Este ano o público brasileiro tirou a sorte grande. Poderá assistir a três coreografias assinadas por um dos gênios da dança, William Forsythe, com o Balé de Frankfurt. A companhia apresentará (N.N.N.N.), Enemy in the Figure e Quintett, no Teatro Municipal na sexta e no sábado em São Paulo e 12 e 13 no Rio. Pela primeira vez na América do Sul, a companhia integra a programação dos dez anos da série Antares Dança.Sofisticação e inteligência são as marcas do trabalho de Forsythe, um dos mais renomados e disputados coreógrafos da atualidade, responsável por uma série de inovações e pela ruptura com o balé, sem deixar de lado toda a movimentação e o gestual do clássico. Seu estilo é único, uma dança teatralizada, que explora ao extremo a relação entre música, espaço, luz e gesto. Os temas escolhidos para as coreografias são concretos, mesmo utilizando a improvisação em algumas criações. Cada movimento está impregnado de detalhes sutis, a costura dos gestos é minuciosa, ele cria imagens, monta um conjunto.O repertório apresentado no Brasil é um pequeno painel da produção de Forsythe. Enemy in the Figure, de 1989, é uma grande produção, com a presença de uma tela flutuante na diagonal do palco, um holofote sobre uma mesa com rodas é empurrado por bailarinos, a luz é descontínua, os bailarinos brincam com as sombras, com o branco e o preto e a gestualidade é angulosa, aparentemente simples. Bailarinos surgem e desaparecem da cena, movem-se de maneira pendular. Uma crítica à sociedade tecnológica.Quintett, de 1993, é uma das peças mais pessoais de Forsythe, foi criada na época em que sua jovem esposa morreu vítima de câncer. Muito mais contemplativa, seus movimentos são lentos, a imagem da morte mistura-se com esperança. A música Jesus´ Blood never Failed me Yet, de Gaven Bryars, é um contraponto aos solos, duos e trios sucessivos dos bailarinos. Os intérpretes também dançam em pontos quase que invisíveis ao público. Aparecem e desaparecem por meio de uma abertura no chão.E a mais recente é (N.N.N.N.), de 2002, com quatro homens em cena, que gradualmente partem de gestos suaves até chegar aos movimentos rápidos. Sem grandes produções ou cenários sofisticados. Forsythe aponta para um diálogo maior com seu público, ao entendimento da platéia como fonte de pesquisa. Uma nova fase, sem grandes produções. No palco, apenas quatro homens ao som da música de Thom Willems.Forsythe é uma unanimidade. Pena que a prefeitura alemã não soube compreender isso. Esta é a última turnê da companhia, que se extinguirá completamente em 2004. Uma temporada para entrar na história.Leia mais.Balé de Frankfurt. Sexta e sábado, às 21 horas. De R$ 20 a R$ 150. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698. Patrocínio: Embratel e Nokia.

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