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Balé da Cidade revê seus 45 anos de história

Além de trazer peça inédita, programa recupera duas coreografias que marcaram o repertório da companhia

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2013 | 19h14

Um espetáculo para percorrer 45 anos de história. Nas apresentações, que fará de quinta (26) a domingo (29) no Teatro Municipal, o Balé da Cidade aproveita a efeméride para rever seu percurso. Além de uma coreografia inédita, Abrupto., o público também terá a oportunidade de assistir a duas antigas montagens da companhia: Apocalipsis, que estreou em 1976, e Cantares, de 1984.

“São dois coreógrafos que fizeram parte dessa trajetória e que marcam esse caminho em direção à dança contemporânea. Existe uma geração de bailarinos e do público que não conheceu esses espetáculos, mas eles ficaram no imaginário. E são capazes de despertar novas sensibilidades hoje”, comenta Iracity Cardoso, diretora do grupo, que participou de sua fundação como bailarina.

Criado em 1968 com a função de acompanhar as óperas do Municipal, o Corpo de Baile passou por uma radical reestruturação em 1974. Sob a direção de Antonio Carlos Cardoso, passou a privilegiar a dança de traços modernos e recebeu o nome de Balé da Cidade.

Dentre as 198 obras que reuniu em seu repertório nessas quatro décadas – 161 criações originais para a companhia – os trabalhos selecionados para o programa de aniversário sinalizam momentos marcantes dessa trajetória. “Essas peças demonstram a diversidade de estilos, técnicas e concepções dos coreógrafos que passaram pelo Balé”, observa Iracity.

Com Apocalipsis, Vitor Navarro aproximava a companhia paulistana do movimento que se insinuava na dança de todo o mundo naquele momento. Estimulado pela trilha de John McLaughlin, ele experimentou uma fusão de linguagens artísticas: mesclava ao clássico a dança moderna, trazia influências do jazz e das artes visuais. “Foi uma revolução na dança. E o início dessa transformação aconteceu aí, na década de 1970”, lembra a diretora.

Outra diretriz que o Balé da Cidade estabeleceu para 2013 foi o contato mais estreito com a Orquestra Sinfônica Municipal. Objetivo que é alcançado nessa programação em Cantares e Abrupto.

Concebida originalmente para o Ballet du Grand Théâtre de Genève, Cantares se apoia sobre a Rapsódia Espanhola, de Maurice Ravel. “É uma grande obra musical. Era importante que os músicos também se sentissem estimulados com aquilo que vamos apresentar”, diz Iracity sobre a escolha da coreografia de Oscar Araiz.

Além do Théâtre de Genève, Araiz também dirigiu o Teatro Colón de Buenos Aires e criou obras sob encomenda para a Ópera de Paris. Com essa Cantares – marcante nos anos 1980 – ele tratava, sobretudo, de sentimentos femininos. Bebia na ficção de Federico García Lorca e convoca nove mulheres à cena.

Das origens em direção ao futuro. A companhia também estreia uma obra do mais jovem coreógrafo formado dentro do grupo. Aos 31 anos, Alex Soares criou sua primeira coreografia em 2009, quando ainda dançava no Balé da Cidade. Em Abrupto., experimentou pela primeira vez conceber um título a ser acompanhado por orquestra.

A partir da composição do estoniano Arvo Pärt, Soares desenhou um trabalho que se apoia em dois momentos dissonantes. “São duas partes com energias completamente opostas. A primeira traz uma espécie de catarse. Na segunda, o esgotamento que vem logo depois disso”, pontua o criador.

BALÉ DA CIDADE DE SP

Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, tel. 3397-0327. 5ª a sáb., 20 h; dom., 18 h. R$ 10/ R$ 60. www.ingressorapido.com.br

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