Balé da Cidade inicia temporada

O Balé da Cidade de São Paulo faz,sábado, sua primeira apresentação deste ano na cidade. O públicoque comparecer ao Teatro Alfa poderá conferir quatrocoreografias do repertório da companhia. Para abrir a noite, Dualidade@Br", do iraniano GagikIsmailian, coreógrafo radicado em Portugal que avalia, por meiode movimentos, a situação dos imigrantes portugueses no Brasil.Em pauta, a miscigenação, as trocas e o resultado cultural."Poucas vezes apresentamos essa coreografia em São Paulo, daí aescolha para abrir o programa", comenta a diretora da companhia, Mônica Mion. A peça foi reformulada para traduzir a atmosferamultifacetada do Brasil. Jorge Garcia mostra seu lado brincalhão e despojado nabreve Interlúdio (10 min) e, também, toda a violência doCarandiru em Divinéia. Esta coreografia leva ao palco homens que representam em gestos o cotidiano da vida na prisão. Garciaprocura resgatar o universo do presídio e trazer à tona asdiversas culturas que ali habitam. Para encerrar, Lac, de Sandro Borelli. Um duo curto,com 15 minutos de duração, que apresenta a relação entre umhomem e uma mulher. Os bailarinos dançam como dois animais emacasalamento. A emoção e a violência crescem simultaneamente atéatingir o ápice, quando o macho é sacrificado. "Demos o primeiro passo para um série de apresentações.Do Alfa migraremos para o Teatro Municipal, de 11 a 16 de maio", diz Mônica. No programa, Dualidade@Br e Plenilúnio, deSusana Yamauchi e João Mauricio. Foram escolhidas nove pinturaspara esboçar a imagem do homem moderno diante do passado, livredas convenções morais e sociais. A concepção de luz é assinadapor José Possi Neto. No dia 16 estréia no Teatro São Pedro o espetáculoDeserto dos Anjos, com a Cia. 2. O grupo é composto porbailarinos veteranos, que têm a oportunidade de mostrar todo otalento e vigor no palco. A coreografia trata da questão dosidosos. "Há um ano a Claudia Palma deu início a uma pesquisasobre o tema. Decidimos que seria interessante transformar oassunto em dança. Agora será mostrado o primeiro resultado, deuma pesquisa contínua", afirma a diretora. Para elaborar a peça, Claudia, os bailarinos e todos osenvolvidos no projeto, com a cenógrafa Daniela Thomas, visitaramasilos, realizaram entrevistas, filmaram, colheram informaçõesdiversas sobre a vida das pessoas que moram ali. "A proposta édiscutir o universo que envolve essas pessoas abandonadas, àmargem da sociedade", diz Claudia. A coreógrafa buscou a atmosfera dos asilos. "O olhardistante, a apatia e deformidades - pessoas com problemas depostura, doentes - foram traduzidos em movimentos." Paraauxiliar a compor as cenas foram convidadas as pesquisadoras AnaTerra e Renata Franco, responsáveis pelo desenvolvimento delaboratórios corporais. O resultado, para a diretora, foi um trabalho sutil,delicado e impactante. Além da dança contemporânea, voz ealgumas pinceladas de teatro marcam presença em Deserto dosAnjos. "A abordagem é lírica e intimista. O fim sugerelibertação: os idosos transcendem, um momento de esperança."Serviço - Balé da Cidade de São Paulo. Sábado, às 21 horas;domingo, às 18 horas. De R$ 15,00 a R$ 40,00. Teatro Alfa. RuaBento Branco de Andrade Filho, 722, São Paulo, tel. 5693-4000

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