Balé da Cidade faz duas reestréias

Desde que Mônica Mion assumiu a direção do Balé da Cidade de São Paulo, a companhia atua em duas frentes - abrir espaço para jovens coreógrafos e resgatar peças do repertório pouco dançadas pelo grupo. As apresentações do grupo que começam hoje são marcadas pela segunda alternativa, com a reestréia de Marcas do Tempo e Z. Marcas do Tempo foi criada por Gagik Ismallian, inspirada no conflito dos Bálcãs. Impressionado com a situação de sua terra natal, o coreógrafo criou movimentos intensos e fortes. "Marcas é um trabalho dramático, que possui uma técnica intensa", comenta Mônica. "Foi uma coincidência apresentarmos esse espetáculo nessa época em que os ânimos estão exacerbados, mas é um trabalho importante que estava esquecido." Da mesma forma será exibido Z, uma homenagem a Zumbi e à semana da consciência negra. Criada em 1995 pela africana Germaine Acogny, peça trata do vigor e resistência dos quilombos. "A concepção de Z possibilita a presença de todo o elenco no palco. Uma peça que fala da liberdade e permite uma montagem mais solta. Será uma oportunidade para o público conhecer um pouco mais o talento dos bailarinos da cia. 1 - o grupo principal", avalia. O Balé da Cidade chega ao fim do ano com cerca de cem apresentações e agenda cheia. "Ao fazer um balanço deste ano, posso dizer que o saldo foi positivo, tivemos um ano produtivo: seis estréias e três remontagens", diz. "Circulamos pelo interior de São Paulo e dançamos fora, como na Bienal de Fortaleza", informa Mônica. No entanto, algumas propostas e projetos não saíram do papel. "Esse também foi um ano de adaptação. Tínhamos a intenção de levar o balé para teatros de bairro, a secretaria tinha outros planos, como utilizá-los para grupos teatrais, o que também é muito importante", observa. "Eu não desisti das minhas idéias, acredito que precisamos de mais espaço para levar a dança a diversos lugares, com o intuito de popularizá-la. Esse assunto merece ser debatido." Atualmente, o grupo usa os palcos do Teatro Municipal e lugares alternativos como ginásios e parques. "Pretendemos ampliar o raio de atuação quando conseguirmos um palco móvel", afirma. Para o ano que vêm, a diretora busca o equilíbrio. "Devemos ter mais espaço para essas atividades e, ao mesmo tempo, para os compromissos da companhia." No que diz respeito aos novos talentos, uma quinta-feira por mês, na sede da companhia, há a apresentação de trabalhos dos bailarinos fora do horário de ensaio. "Eles têm oportunidade de mostrar tudo aquilo que desenvolveram durante o ano e discutir com os bailarinos", conta. É um diálogo informal, que incentiva novos talentos.Balé da Cidade - Sábado, às 17h e 21h. domingo, às 11h e 17h. De R$2 a R$8. Teatro Municipal (222-8698).

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