Balé da Cidade estreia coreografia de Jorge Garcia

Quase nada acontece em solidão. É necessária a presença do outro, o contato com outro corpo, para que se desperte de um estado de paralisia. Em "T.A.T.O.", montagem que o Balé da Cidade estreia nesta quinta-feira, no Teatro Municipal, o coreógrafo Jorge Garcia compôs uma obra toda calcada em relações. "Depois de ter trabalhado com solos em minha última criação, tive agora a vontade de experimentar duos. Como o corpo reage ao toque, ao contato", diz o criador, que encontrou o título do espetáculo ao abreviar a frase "tecidos abertos em tensões opostas".

AE, Agência Estado

13 de dezembro de 2012 | 10h04

Jorge Garcia, que hoje mantém uma companhia própria, é cria do Balé da Cidade. Antes de alçar voo solo, foi bailarino e coreógrafo do grupo, com o qual criou peças como "RG", homenagem ao centenário do compositor Radamés Gnatalli, e "Divineia", marcante título de 2001, em que investigava o universo da Casa de Detenção de São Paulo, sua rotina de revistas corporais e constrangimentos. Nesta obra, o artista pernambucano, radicado na cidade desde a década de 1990, chamava atenção ao exibir um estilo muito peculiar. Trazia uma linguagem rigorosa, calcada na técnica clássica, mas com nítidas referências da cultura popular - especialmente das manifestações urbanas.

Passados mais de dez anos, Garcia mantém-se fiel à própria marca. "Ele tem essa linguagem muito clara, muito reconhecível, que vem sendo depurada. É um momento de amadurecimento", acredita Lara Pinheiro, diretora do Balé da Cidade. Em "T.A.T.O.", o encontro do clássico com o popular volta a acontecer. Seu vocabulário de movimentos incorpora traços da capoeira de Angola, largamente explorada em cena, e do aikidô. A questão urbana, sempre em voga no seu percurso, também volta a aparecer.

Além dessa coreografia inédita, o Balé da Cidade abre as noites apresentando "Ter Alado", de Renato Vieira. Criada também sob medida para o grupo, a obra estreou em outubro deste ano e é resultado de dois meses de trabalho de Vieira com os bailarinos. O Balé da Cidade encerra a agenda do ano com essas duas coreografias e se lança às comemorações de seus 45 anos, que serão completados em 2013. Para marcar a efeméride, existem planos de dividir o palco com a São Paulo Companhia de Dança. As comemorações também preveem, para março, o lançamento de uma coleção de DVDs, três filmes que compilam imagens de todas as criações do grupo desde a sua fundação, em 1968. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

Teatro Municipal (Praça Ramos de Azevedo, s/nº). Tel. 3397-0327. Quinta e sexta, 21 h; sáb., 20 h; dom., 17 h. R$ 20/ R$ 60.

Tudo o que sabemos sobre:
dançaBalé da Cidade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.