Balanços da pauliceia

O Sandália de Prata vai do hip hop ao samba rock em novo disco

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h11

A síncopa suave da cantora Ully Costa faz toda a diferença no Sandália de Prata, banda expoente do circuito de samba rock paulistano. Não fosse ela, o som cairia na burocracia do baile, com músicos competentes, que muito tocam e pouco se entregam ao som. Com arranjos manjados, a tendência em Desafio ao Galo, novo disco da banda que terá show de lançamento hoje, às 21h, no Sesc Pompeia, é enveredar por este caminho mesmo. João, quarta faixa do disco, tem todos os macetes clássicos de uma orquestra do tipo: violão miudinho, batuque engomado, metais que respondem às perguntas da cantora. O andamento é ligeiro e Ully suinga elegante com uma melodia de embolada, no estilo de Bala com Bala, de João Bosco.

Se não cantasse tão bem, a sensibilidade para o fraseado malandro poderia render-lhe uma carreira promissora como rapper. Ocasiões não faltariam, pois o Sandália de Prata vem do Capão Redondo, gueto cantado nas rimas dos Racionais MCs. Tanto que Sensual Funk, uma batidona arrastada de hip hop, cai muito bem com as mandingas vocais de Ully. "O curioso é que samba rock não é o nome de um gênero. O que fazemos é maior", diz a cantora. Sua preferência é pela pegada vintage de orquestras de baile. Todas as batidas, do sambão vertiginoso, ao sambinha manhoso, ao chacundum imortalizado pelo violão de Jorge Ben, estão presentes. A suprema entidade do sambalanço é homenageada com um cover de O Cravo Brigou com a Rosa. O repertório cobre alguns temas esperados de um disco assim: o menino bom de bola em Menino Rei, a malemolência de um quadril que passa em Reza Forte. Em Rolê na Pauliceia, a banda faz exatamente o que o título promete. "De chapinha no cabelo, chinelinho de dedo," Ully parte para um giro por São Paulo, do Paysandu à Paulista, da correria do metrô ao milho verde das esquinas. "Há de haver Consolação", brinca.

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