Balanço da política de pacificação no Rio

O mesmo grupo de 5 x Favela - Agora por Nós Mesmos dirige este 5 x Pacificação, documentário sobre a ação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) nas comunidades cariocas. A mesma dupla de produtores - o cineasta Cacá Diegues e sua mulher, Renata Magalhães - está presente nos dois projetos. A ideia é clara: transferir aos próprios habitantes das comunidades a responsabilidade de olhar a si mesmos. No primeiro filme, a via usada era a da ficção; agora, trata-se do cinema do real, documentário.

LUIZ ZANIN ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h10

A direção é assinada por Cadu Barcellos, Rodrigo Felha, Luciano Vidigal e Wagner Moraes, todos moradores de comunidades carentes e autores dos cinco segmentos ou episódios de que se compõe o filme.

A ideia é medir, sob ângulos diversos, a atuação das UPPs em áreas críticas na geografia da violência do Rio de Janeiro. Falam moradores das comunidades, mas também os "do asfalto" - gente de classe média que mora nas proximidades. Falam policiais, sociólogos e antropólogos. Mas também, naqueles que talvez sejam os depoimentos mais dramáticos, falam ex-traficantes, gente que viveu no crime e agora tenta outro caminho.

Nem tudo são rosas, mas o balanço dessa visão multifacetada parece francamente favorável às UPPs. Os habitantes dizem isso, o que talvez tornasse dispensáveis os depoimentos do governador Sérgio Cabral e do secretário de segurança, José Mariano Beltrame. Há queixas, por exemplo, de restrições aos horários dos bailes funk. Uma forma de controle que antes as comunidades desconheciam, como um preço a pagar pela segurança, inegavelmente maior.

Como há muito a mostrar, o filme torna-se fragmentado, e numa dose excessiva. Dezenas de personagens desfilam diante da câmera e, como consequência, nenhum deles é aprofundado. Perdem-se, assim, chances incríveis.

O espectador certamente gostaria de saber mais de um rapaz quando ele constata levar um mês inteiro para ganhar um dinheiro que faturava em minutos no tráfico. Mas ele mesmo admite que a grana fácil escorrega entre os dedos. Há histórias assim, que deveriam ser mais bem desenvolvidas. O filme vale por sua importância social.

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