"Balaio Brasil" reúne diversidade cultural em São Paulo

Começa nesta terça-feira uma viagem cultural ao centro do Brasil promovida pelo Sesc de São Paulo. Balaio Brasil traz para as 9 unidades do Sesc da cidade, cerca de 150 atrações divididas em espetáculos de teatro, dança, música, artes visuais e literatura. A jornada, que dura duas semanas, vai apresentar à megalópole cosmopolita um pouco do País que ainda existe nos estados chamados "pobres" mas que ainda guardam a maior parte da riqueza cultural brasileira. No total, 24 estados brasileiros estarão sendo representados através da arte e cultura. O evento termina no dia 26 de novembro. Os ingressos custam R$ 10 mas estão previstas mais de 50 apresentações gratuitas. As unidades do Sesc Belém, Pompéia, Vila Mariana, Consolação, Santo Amaro, Ipiranga, Itaquera, Carmo e Interlagos vão ser invadidas em quase todos os seus espaços livres. Praças, áreas de convivência, chopperias, lagos, quintais, galpões, arenas, além dos teatros e auditórios, serão transformados em palco para o Balaio Brasil, que tem os 500 do Brasil como inspiração. "Apesar das muitas manifestações ufanistas que se extenderam pelo ano, nós achamos que seria uma boa idéia garimpar novos talentos espalhados pelo Brasil e montar um caldeirão cultural fora do esquemão", diz Ivan Giannini da Gerência da Ação Cultural do Sesc.Todo ano, o Sesc fecha o calendário com um grande festival de cultura. No final de 98, a unidade Santo Amaro foi inaugurada com o Mundão, com apresentações que iam desde Man or Astro Man, Sean Lennon, dois anos antes do Free Jazz "descobrí-lo", até os shows de Cauby Peixoto e Jerry Adriane. O tema era usar as mais diversas manifestações de cultura no mundo para discutir a diversidade étnica de São Paulo. No ano passado 1999 Reticências trouxe a banda americana Tortoise, além de movimentar o cenário teatral com Augusto Boal fazendo a ópera Carmen em ritmo de "sambópera".O projeto também tem compromisso com a itinerância. A pesquisa por novas culturas brasileiras também será levada ao interior do Estado em pelo menos 60 cidades próximas das outras 16 unidades do Sesc espalhadas pelo Estado. "Nesta fase daremos prioridade às manifestações não-midiáticas como o teatro e a danças, que têm mais dificuldade de viajar, a música pode ir através das rádios da TV ou dos cds.", afirma Giannini.Segundo ele, a seleção das atrações foi feita levando em conta a qualidade artística dos espetáculo e em 90% dos casos, o ineditismo em São Paulo. A intenção é fazer uma ação propositiva, saindo do tradicional sistema de curadoria onde o Sesc recebe o material de divulgação dos artistas, avaliando seus espetáculos e promovendo a apresentação, se for o caso. "Resolvemos inverter este sistema mandando nossos técnicos irem atrás dos artistas e não o contrário com sempre ocorre", diz. Os técnicos do Sesc passaram 10 dias viajando pelo Brasil para procurar novos artistas. Em pouco tempo, os curadores conheciam tudo que existia de cultura na cidade onde estavam e faziam os contatos para a viagem até São Paulo. "Todos que tinham a possibilidade de vir estão aqui". Para alguns a dificuldade foi maior, como o teatro Bizarrus do grupo "Cia. Sem...Nexo Com...Plexo", de Rondônia formado por detentos do Presídio Ênio Pinheiro em Porto Velho. "Muitos dos atores já tinham regime de cárcere semi-aberto, mas eles terão policiais os acompanhando durante as apresentações", conta Ivan.O objetivo é mesmo trazer estes artistas para se apresentar no eixo paulistano, do qual eles não fazem parte e dificilmente fariam. "Teremos um preocupação especial para que os produtores culturais paulistas vejam as atrações e se animem a conhecer melhor o trabalho deles e eventualmente produzir os espetáculos em São Paulo", diz Ivan Giannini. Apesar disto, a organização acabou convidando alguns nomes de peso. Na seleção das atrações de música, nomes conhecidos também farão parte da festa. Na noite de abertura, já começa a diversidade. A festa no Sesc Belenzinho começa às 21h com uma ciranda liderada pela Lia de Itamaracá(PE) no gramado da entrada. A partir das 21h45, Djs e artistas performáticos animam o público preparando para o pocket show de 20 minutos da banda punk paulistana Inocentes que começa às 22h30 no Espaço Dançante. Na sequência entram no Espaço os Demônio da Garoa, tradicional conjunto de samba de São Paulo, que tocam com os Inocentes, em uma jam no mínimo inusitada. À meia-noite, começa o show de Zé Ramalho e à 1h o de Cássia Eller, também com direito a uma jam programada para os dois musicos fecharem a noite. A entrada para a festa de abertura custa R$ 20. Estudantes pagam meia. Idosos e comerciários pagam R$ 7,50. A programação integral do Balaio Brasil está no site www.sescsp.com.br

Agencia Estado,

13 de novembro de 2000 | 23h41

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