Balada para todos

Sétima edição da festa criada por Marcelino Freire movimenta a Vila

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h08

Há um ano, Raduan Nassar aceitou ser homenageado na Balada Literária com a condição de que não tivesse que aparecer por lá. Autor de dois clássicos da literatura brasileira, Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, ele se retirou precocemente da vida literária e virou figura mítica e cultuada, como Dalton Trevisan, que venceu na segunda-feira o Prêmio Portugal Telecom na categoria conto e crônica e não foi à premiação.

Na quinta passada, Raduan ligou para Marcelino Freire, o idealizador e curador da festa que começa hoje e vai até domingo, na Vila Madalena, agradecendo e dizendo que estava feliz com a homenagem. Foi a primeira vez que os dois conversaram. "Mas em nenhum momento fiz pressão para que ele participasse ou pedi um texto inédito. Tenho o maior respeito e cuidado com uma pessoa que decidiu sair da literatura. Agora, ele tem a programação. Se ele se sentir à vontade de ir, será muito bem-vindo", diz.

A escolha do homenageado da Balada Literária se reflete no tema dos debates. Assim, esta 7.ª edição vai discutir o isolamento - voluntário, como o de Raduan Nassar, ou imposto, como daqueles que, por motivos diversos, foram excluídos e que, de alguma forma, resistem.

Na abertura hoje, às 18 horas, no Centro Cultural b_arco, será feita uma homenagem a Binho, que viu o local onde realizava seu sarau, no Campo Limpo, fechado pela prefeitura. Hoje, enquanto regulariza a situação do espaço, organiza os encontros em locais variados. Quem for ao b_arco esta noite poderá ver ainda três curtas: O Vestido de Laerte, Filme Para Poeta Cego e Aluga-se. E visitar a feira de livros independentes.

Os debates começam na quinta e Raduan será lembrado logo no início da programação, em dois momentos. Às 11h, na Livraria da Vila da Vila Madalena, haverá um bate-papo com Leyla Perrone-Moisés, Roniwalter Jatobá, Wladyr Nader e Ivan Marques. Logo depois, às 14h, a conversa será centrada no primeiro livro de Raduan, Lavoura Arcaica, de 1975, e no filme que Luiz Fernando Carvalho fez a partir da obra. O cineasta estará lá ao lado do ator Selton Mello e a conversa será mediada por Lourenço Mutarelli.

Outra adaptação estará em destaque na programação da Balada Literária. Também amanhã, às 20 horas, no Centro Cultural b_arco, o cineasta Hermano Penna conversa com o escritor João Ubaldo Ribeiro e o ator Lima Duarte sobre Sargento Getúlio, filme que completa agora 30 anos e que foi baseado na obra de Ubaldo, cronista do Caderno 2. A mediação será de Claudiney Ferreira.

Ainda na temática desta edição, na sexta-feira será realizado o painel O Quarto é o Mundo - A Literatura de Verdade Dentro e Fora dos Presídios, com os ex-detentos e escritores Camilo Blajaquis, da Argentina, e Luiz Alberto Mendes, daqui. Os dois começaram a escrever enquanto cumpriam pena. Fernando Bonassi, que conheceu Mendes quando fazia o roteiro de Carandiru e incentivou sua produção, mediará a conversa nesta sexta-feira, às 14 horas, na Livraria da Vila.

No sábado, às 15h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, Marcelo Montenegro, Martha Nowill, Omar Salomão, Sinhá e Tiago E. e Demétrios Galvão falam sobre poesia. A programação é extensa e se espalha por vários pontos da Vila até domingo. Como o assunto é literatura, estão previstos alguns lançamentos. E na quarta, a tradicional Ressaca Literária recebe Milton Hatoum no b_arco.

Marcelino Freire estima que o evento custe R$ 300 mil, mas não usa verba pública. Conta com parceiros, como a Livraria da Vila, coorganizadora desde a primeira edição. A entrada é grátis.

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