Bala na agulha

Em outubro de 2010 a turnê Time Machine passou pelo Brasil. Quem não pôde ver, tem agora uma nova chance, com o lançamento do combo CD+DVD Live in Cleveland. Em três horas de show, a banda revisa a sua longa discografia e mostra clássicos indispensáveis como The Spirit of Radio, Freewill e Tom Sawyer. Na primeira parte do set, eles circulam pelos anos 80 e 90. Na segunda parte, celebram os trinta anos do aclamado álbum Moving Pictures, tocando-o na íntegra. Depois, fecham com uma digressão pelos anos 70 mostrando as clássicas 2112, Closer to the Heart e Working Man. Como nos lançamentos anteriores, a produção é impecável e a banda é perfeita na parte da instrumentação, embora Geddy Lee esteja encontrando dificuldades em cantar o repertório mais antigo. Os esquetes de humor que apareceram no telão do show são transferidos para o DVD, onde os três integrantes da banda compõem uma auto-paródia. Ao mostrar que não se leva a sério, a banda acaba recebendo o reforço até dos fãs, sempre coléricos. Quando o baterista Neil Peart executa suas complicadas passagens, pode-se ver uma fileira de fanáticos praticando o 'air drums', contribuindo ainda mais para essa proposta histriônica e bem humorada. Mas não foi só do passado que a turnê Time Machine viveu. Havia duas músicas novas - BU2B e Caravan - que farão parte do álbum Clockwork Angels, prometido ainda para este ano. Segundo rumores, a banda estaria trazendo de volta à baila as longas suítes conceituais, que deram fama ao grupo nos anos 70. É esperar para ver. E ouvir.

DIOGO SALLES , O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2012 | 03h08

RUSH

HOWLER

AMERICA GIVE UP

LAB 344

Preço: R$ 24,90

(CD)

BOM

Entra ano, sai ano, e a história se repete: a banda fulana de tal é a nova salvadora do rock. Algo que, já se sabe, não existe: o rock não precisa ser salvo. Está espalhado por aí, em cada disco em que uma guitarra é colocada para gritar, sem dó. É o caso do Howler (leia-se ráuler), nova banda sensação de Minneapolis (EUA) que chacoalhou o mundo 'indie' com o EP This One's Different no ano passado. Moleques na casa dos 20 anos, colocando duas guitarras no volume máximo, com um vocalista tão desleixado e explosivo quanto Julian Casablancas no início do Strokes, em 2001. Eles trazem frescor com a garra de quem está começando (algo presente no início da banda de Casablancas, mas que se perdeu pelo caminho). Ganharam o apelido de 'novos Strokes' com a estreia, America Give Up, mas a comparação pouco faz sentido. Howler lembra mais o início do The Replacements, em 1980, mas um pouco mais borrado. É um surf rock de garagem eletrizante. E ainda decretam a morte do rock por aí... / PEDRO ANTUNES

OUÇA TAMBÉM

I'M IN TROUBLE

Artista: The Replacements. Álbum: Sorry Ma, Forgot to Take Out the Trash. Gravadora: Twin/Tone Preço: R$ 28

MAVERICK

SABRE

LONELY ON THE BRAVE

Mercury

Preço: US$ 21,90 (Amazon)

BOM

I ncontrolável nas suas classificações imediatistas, a imprensa logo taxou: "É a Amy Winehouse versão masculina". Pobre rapaz. Mal havia saído do anonimato e já tinha de provar ter habilidades suficientes para suprir a carência deixada pela explosiva britânica. Maverick Sabre, nem de longe, merece essa comparação fugaz, ainda que usufrua a tendência revivalista do soul. O que mais chama a atenção na sua produção, além de uma voz peculiar, é a multiplicidade de gêneros conjugados, todos da escola da música negra: hip-hop, neo soul e reggae. Enfim, é um cara do groove, que lembra muito o timbre, a vocação trip hop e a interpretação jamaicana de Finley Quaye. Difícil não soar oportunista quando resgata o sampler da cultuada Glory Box, do Portishead, em um de seus singles, Let Me Go, ou quando tenta imitar o caldeirão funk de Mark Ronson. Sabre se sai melhor quando emprega sua voz soulful em território mais de pista, como na orquestral These Days, na suingada Memories ou no soturno reggae Cold Game. Reduzido ao piano, interpreta clássico de Sam Cooke, A Change Is Gonna Come, e mostra que pode soar mais autêntico do que qualquer drama afetado de Adele. / EMANUEL BOMFIM

OUÇA TAMBÉM

EVEN AFTER ALL

Artista: Finley Quaye Álbum: Maverick a Strike Gravadora: Sony

Preço: US$ 9,99 (iTunes)

THE KILLS

THE LAST

GOODBYE

DOMINO

Preço: US$ 4 (iTunes)

ÓTIMO

O rock and roll elegante e decupado do duo The Kills visita compassos de solidão no EP The Last Goodbye. Tratam-se de quatro canções (três delas covers)tocadas a violão de aço e guitarra, interpretadas por Alison Mosshart (foto) sem medo de encarar feridas. A melancolia surge durante a despedida da faixa-título, e passa por clarões ao decorrer do disco, entre eles a arejada versão de Pale Blue Eyes, do Velvet Underground, feita com trabalho impecável de guitarra e uma batida larga que veste bem a entorpecente letra de Lou Reed. One Silver Dollar, sucesso na voz de Marilyn Monroe, e Crazy, de Willie Nelson, vão ao fundo do poço com dignidade. O disco marca uma década desde que Alison e James Hince formaram o duo; cinco anos desde que viraram uma sensação mal-aproveitada com o disco Midnight Boom, pois como aponta o blog Drowned in Sound, o Kills tem hits suficientes para ter o status de um White Stripes, faz shows desconcertantes, encabeça festivais mas, curiosamente, não emplaca. /ROBERTO NASCIMENTO.

OUÇA TAMBÉM

GOING HOME

Artista: Leonard Cohen

Álbum: Old Ideas Gravadora:

Columbia Preço: US$ 9 (iTunes)

TIME MACHINE 2011

LIVE IN CLEVELAND

Roadrunner

Preço: R$ 39,90

ÓTIMO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.