Bairro de Curitiba pode abrigar centro cultural

O Rebouças, um dos bairros mais antigos de Curitiba, quecresceu impulsionado pela estação ferroviária, instalada em 1884, estácomeçando a passar por um "banho" de modernidade. "Mas pretendemosmanter o aspecto fabril", diz o coordenador do projeto, Sérgio Tocchio.Fruto da tradição industrial do bairro, há vários barracões e terrenosvazios que a prefeitura pretende, em parceria com a iniciativa privada,transformar em locais de lazer, turismo e cultura. O projeto do Novo Rebouças começou pelo Moinho Paranaense, construído na década de 30 e desativado há 30 anos, quando as atividades foram transferidas para a Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O moinho, com 1.800 metros quadrados de construção, em terreno de 4.700 metros quadrados, foi entregue à prefeitura pelo Shopping Mueller em troca de potencial construtivo, mecanismo previsto no Estatuto da Cidade para estimular a preservação do patrimônio cultural e ambiental da cidade. O "crédito" será utilizado para ampliação dos Shopping no Centro Cívico. O refeitório do moinho foi adaptado para que o coordenador receba empresários interessados em conhecer o projeto. "A prefeitura está aberta para orientar os empreendedores privados a manter os barracões e o aspecto fabril", diz Tocchio. "Queremos ter um mix de atividades, com ateliês, oficinas, bares e restaurantes." No moinho já foram realizados alguns shows e desfiles de moda. Os três pavimentos do bloco central poderão ainda abrigar festas e exposições. "Vamos adequar os espaços."Um dos blocos do moinho ainda tem os silos de armazenagens, com 20 metros de altura e que poderão ser utilizados como museus verticais. As obras de arte seriam apreciadas de elevadores. Outro bloco deverá ser adaptado para salas de teatro. "Os projetos ainda estão sendo preparados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc)", diz Tocchio. A previsão é que no próximo ano sejam gastos R$ 2 milhões no Novo Rebouças, valor já previsto em orçamento. Uma das obras previstas é o alargamento das calçadas na Rua Getúlio Vargas e a construção de um calçadão na Rua Piquiri, onde fica o moinho, entre as ruas Getúlio Vargas e Brasílio Itiberê. Nesse trechoestá a sede da Secretaria de Estado da Saúde. A prefeitura propôs que o governo do Estado transfira a secretaria, trazendo para o prédio a Faculdade de Artes do Paraná. "O meio acadêmico é fundamental para a revitalização", afirma Tocchio. Nas proximidades já estão a Pontifícia Universidade Católica, a Uniandrade e uma parte das Faculdades Curitiba.Desde sua criação, o Rebouças foi um dos mais prósperos bairros de Curitiba, sendo o primeiro a receber calçamento, energia elétrica e água encanada. Na década de 40, com o primeiro plano urbano, ficou definido como área industrial, recebendo algumas das empresas mais importantes da cidade, como Mate Leão e Brahma, ainda hoje instaladas no local. Somente na década de 70, com a criação da CIC, a maioria das indústrias mudou-se e o bairro passou a ser Setor Especial de Recuperação Urbana, em razão de sua proximidade com o centro. Nos últimos 30 anos, o bairro, que estava entre os dez mais populosos da cidade, caiu para a 27ª posição, com 15.610 habitantes, segundo o censo de 2000. De acordo com dados da prefeitura, há 7.570 residências, 654 estabelecimentos comerciais, 57 atacadistas, 169 locais de serviços e apenas quatro indústrias. Mas a atividade econômica continua sendo um dos pontos fortes. Entre os 75 bairros de Curitiba, o Rebouças é o sexto em número de agências bancárias, com 12 postos.

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