Bailarinos ocupam o CCBB no "Dança em Pauta"

O Centro Cultural Banco do Brasil abre hoje a programação do Dança em Pauta, por onde circulam até o dia 11 de julho artistas de diferentes cantos do Brasil e o l´Explose, da Colômbia. Como observa a curadora, Ana Francisca Ponzio, o evento ainda está em construção, mas funciona como um canal de comunicação para jovens e experientes coreógrafos brasileiros e do continente. A começar por Maria Clara Villa-Lobos com o grupo XL Production, que abre a agitada programação com a coreografia M - Uma Peça Mediana. Maria Clara ironiza a sociedade de consumo e o mundo de aparências com a utilização de máscaras e celulares em cena. O deboche e o humor aliam-se à linguagem artística elaborada pela coreógrafa, com movimentos teatralizados criados a partir de situações concretas do cotidiano. "O fio condutor desse trabalho é aquilo que está na televisão, na publicidade, na mídia, o que serve de referência para todas as pessoas. Observamos o comportamento das ruas, das estrelas de cinema", diz. "A Maria Clara é uma artista de destaque no exterior e trazê-la aqui é uma forma de reconhecimento, além de ser um canal internacional para o Dança em Pauta", afirma Ana Francisca. A coreógrafa nasceu em Brasília, vive na Bélgica após ter estudado na badalada escola Aparts, dirigida por Anne Tereza de Keersmaeker. "Em Bruxelas temos influências de artistas de todo o mundo, procuro colocar essa diversidade no espetáculo." Débora Furquim e Ângela Nolf apresentam sábado e domingo Espaço - Estudo 2, uma obra, como explica Débora, que relaciona o corpo com o espaço cênico. Do Rio, vem Bruno Beltrão com o Balé de Rua de Niterói, que dança nos dias 26 e 27. Bruno começou a dançar na adolescência imitando artistas de dança de rua, através de videoclipes. Autodidata, desenvolveu a própria técnica em Niterói e passou a mesclá-la com elementos da dança contemporânea. O resultado pode ser conferido em três peças: Eu e Meu Coreógrafo no 63, Do Popping ao Pop ou Vice-Versa e Too Legitto Quit. Vale conferir o trabalho de jovens coreógrafas como Totem, que trata da cultura do Senegal e brasileira, de Emilie Sugai. Emilie passou quatro meses na África e seu solo é uma adaptação livre das danças e ritos locais. Disseram Que Eu Era Japonesa, trata dos clichês e dos rastros da cultura oriental no corpo, de Letícia Sekito. E ainda Doma, de Lu Brites. A experiente Beth Risoléu mostra o solo Um Olhar... de Lau Delgado. Para agitar ainda mais, vale conferir a ousadia do l´Explose, dirigido por Tino Fernandes, em Por Quién Lloran Mis Amores? e o workshop aberto ao público com Hiroshi Koike.

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