Vasily Maximov/AFP
Vasily Maximov/AFP

Bailarinos do Bolshoi criticam diretor atacado com ácido

Nikolai Tsiskaridze acusa Serguei Filin de ser histérico e ter tonado a vida do autor do crime 'impossível'

EFE

25 de novembro de 2013 | 18h01

O diretor de balé do teatro Bolshoi, Serguei Filin, atacado com ácido em janeiro passado, foi objeto de duras críticas por parte dos bailarinos que prestaram depoimento como testemunhas em processo aberto em juízo.

"Serguei Yurevich (patronímico de Filin) sempre foi um provocador", declarou Nikolai Tsiskaridze, famoso bailarino e coreógrafo que abandonou recentemente o Bolshoi depois de terminar o seu contrato. Nikolai, estrela do teatro durante muitos anos, acusou Filin de ser uma pessoa histérica e tornar impossível a vida de Pavel Dmitrichenko, considerado pela promotoria o autor intelectual do ataque. "Pasha (diminutivo de Pavel) defendia os mais pobres e aqueles que ganhavam menos. Filin não os apoiava(...). Com ele começou a florescer no teatro o favoritismo", disse Nikolai, de acordo com agências locais.

Na opinião de Nikolai, Pavel, que reconheceu ser "moralmente responsável" pela agressão contra o diretor artístico, era uma figura incômoda para Filin. "Serguei (Filin) era contrário a que Pavel liderasse os sindicatos. Achava que, neste caso, ele defenderia os direitos dos artistas no terreno legal”, disse Nikolai. E acusou Filin de substituir Pavel, grosseiramente, de vários espetáculos, mesmo que, do seu ponto de vista, o bailarino possuía grandes qualidades e tinha pela frente uma brilhante carreira".

Ele admitiu que a principal causa do conflito entre Filin e Nikolai seria o fato de Filin tratar muito mal a esposa do bailarino, Angelina Vorontsova. “Ele dizia que ela estava fora de forma, que era grande demais. Tanto lhe oferecia papéis, como não”, disse ele.

Sobre este aspecto, a própria Angelina Vorontsova declarou no tribunal que Filin havia dito a ela que "Nikolai era um personagem incômodo" e que, se continuasse com ele "não progrediria. "Quando Serguei chegou ao Bolshoi minha situação mudou. Fui retirada da tournée a Paris e começaram a me dar menos papéis de solista. Podemos chamar

conflitos, mas eram antes de tudo questões trabalhistas", afirmou ela. Angelina descreveu Nikolai como “uma pessoa ambiciosa”, mas que procurava defender os desfavorecidos no Bolshoi. “Não era agressivo”, afirmou.

Segundo informações do promotor, na segunda-feira, Nikolai reconheceu ter sido detido por ter oferecido 50.000 rublos (US$ 1.500) a outro acusado para que atacasse Serguei Filin, mas não com ácido. Mais tarde mudou seu depoimento. "Já disse que estou disposto a assumir a responsabilidade moral. Se tivesse 10 milhões eu os daria, tudo. Faria tudo para ajudar Serguei Filin", afirmou Nikolai.

Segundo a advogada de Serguei Filin, Tatiana Stukalova, o diretor artístico teve de voltar para a Alemanha para continuar seu tratamento devido à piora da visão de um dos olhos. "Começou um processo purulento nos olhos. O olho direito praticamente não mostra progresso. É possível que ele fique muito nervoso se tiver de prestar depoimento em juízo", disse ela.

Serguei Filin, que regressou recentemente a Moscou, embora não tenha retomado suas funções, precisou se submeter a 23 cirurgias na Alemanha para recuperar parcialmente a vista. O diretor artístico do legendário balé ficou praticamente cego por causa do ataque brutal que ocorreu na noite de 17 de janeiro, quando um pistoleiro, supostamente contratado por Nikolai Dmitrichenko, lançou ácido em seu rosto.

Tradução de Terezinha Martino.

Serguei Filin, Angelina Vorontsova e Pavel Dmitrichenko

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