Bailarino preserva em Moscou cultura chechena

O bailarino Topa Elimbayev passou boa parte da guerra da Chechênia em um abrigo anti-bomba em Grozny. Viu sua cidade ser devastada pelos russos e, quando ruiu o Teatro de Dança da cidade, sob sua direção há 30 anos, tomou a decisão: partiria a Moscou e lecionaria dança aos filhos de chechenos fugitivos da guerra.Dançarino com 55 anos de experiência, Elimbayev não considera ter abandonado sua cidade natal. Ao contrário, está batalhando para preservar a cultura chechena e quebrar a preconceito em voga na Rússia segundo o qual toda sua gente é composta de bandidos e terroristas, idéia recentemente reforçada em atentados que a imprensa relacionou a rebeldes chechenos.Tem experiência no assunto. Em 1944, todo seu povo foi deportado para a Ásia Central, e foi então que começou a aprender a dançar. Sua missão, agora, é transmitir em Moscou as tradições centenárias da Chechênia que sobreviveram à diáspora, quando esteve ameaçada de cair no ostracismo ou sofrer assimilações culturais."Esta guerra foi deflagrada por idiotas", sentencia o dançarino. "As pessoas deveriam saber mais de nossa cultura".Toda semana, seu Centro de Artes e Cultura Elimbayev Vainakh em Moscou atrai mais de 200 crianças entre 4 e 14 anos. Elas se reúnem numa quadra de esportes alugada de uma fábrica de relógios para aulas de dança e música. Além das tradições chechenas, elas aprendem também fundamentos da dança e elementos da música clássica. Os pais aproveitam para trocar informações sobre a terra natal.O nome do centro é uma homenagem ao grande bailarino checheno Makhmud Esambayev, apelidado O Feiticeiro da Dança. Uma das figuras mais admiradas de seu povo, dominava tradições coreográficas não só da Chechênia como também da Rússia, Índia e até do Brasil. Nos anos 60, foi um dos primeiros na era pós-Stalin a apresentar uma dança judaica na União Soviética. Sua morte, em janeiro de 1975, foi largamente noticiada pela imprensa russa.

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