Bailarino brasileiro brilha em produção do Royal Ballet

Thiago Soares recebeu elogios da crítica protagonizando o espetáculo 'Jewels'.

Mônica Vasconcelos, BBC

07 de dezembro de 2007 | 20h25

O bailarino brasileiro Thiago Soares tem recebido elogios da crítica especializada britânica dançando um dos papéis principais em uma nova montagem do balé Jewels, apresentada pela prestigiosa companhia britânica Royal Ballet.Esta é a primeira vez que o Royal Ballet dança a famosa criação do coreógrafo russo George Balanchine, que teve sua première em Nova York, em 1967, e é considerada um grande desafio para qualquer companhia.Jewels (jóias) é dividido em três atos, inspirados em três pedras preciosas: a esmeralda, o rubi e o diamante.No terceiro ato, inspirado no diamante, Balanchine homenageia a grande tradição do balé russo. E é neste momento que Thiago Soares, bailarino principal do Royal Ballet, entra em cena acompanhado da parceira, Marianella Nunez.Na opinião do crítico do jornal britânico Observer, o dueto de Soares com Nunez é o ponto alto do espetáculo"Eu queria muito fazer o papel, e esperava fazê-lo, já que tenho o tipo físico e as características ideais para ele", disse o bailarino à BBC Brasil.O brasileiro começou a dançar balé clássico aos 16 anos de idade. Antes disso, aprendeu técnicas de circo, praticava capoeira e dançava hip hop. Depois de vencer competições internacionais em Paris e Moscou, Soares foi bailarino principal no Balé de Moscou, antes de ser admitido no Royal Ballet, em 2002."Não podemos esquecer que o Nureyev, o maior bailarino do mundo, começou a dançar aos 16 anos de idade", diz o brasileiro. "Quando eu comecei, estava mais maduro e sabia o que queria." "Meu corpo já estava trabalhado pela capoeira e, por causa disso, me machucava menos", acrescenta. "Claro que tive de trabalhar duro na técnica, mas a diferença na formação é uma coisa muito relativa." Hoje, aos 26 anos, já protagonizou clássicos como O Lago dos Cisnes, Quebra Nozes e A Bela Adormecida, entre outros.Segundo o mestre de balé do Royal Ballet, Christopher Saunders, a personalidade latina de Soares é uma grande aquisição para o Royal Ballet."É eletrizante", disse Saunders. "A dança latino-americana é empolgante e rítmica, e Thiago traz um pouco dessa empolgação."Soares admite que o temperamento latino é um fator importante no seu jeito de dançar."Nosso jeito de nos mover, de pensar um personagem, é diferente", afirma. "Eu uso muito isso no meu trabalho, e funciona." "No Brasil, copiamos demais o que os estrangeiros fazem e esquecemos de copiar a nós mesmos", avalia. "Temos uma riqueza cultural imensa e temos de aprender a tirar proveito disso."O bailarino diz, no entanto, que aprendeu muito com o Royal Ballet. "Eles têm refinamento e elegância." "No Brasil, fazemos tudo o que eles fazem, mas damos demais o tempo todo. Os ingleses sabem quando reservar aquela energia e quando dar tudo", conta Soares. "Aqui, aprendi por que fazer um movimento e quando.""Além disso, o Royal Ballet é a única companhia no mundo que consegue juntar teatro e dança", diz o brasileiro. "Você não está só dançando, como também interpretando um personagem. Isso sempre me atraiu na dança."Os jornais britânicos têm dado atenção especial à parceria entre Thiago Soares e a bailarina Marianella Nunez. Juntos, os dois já protagonizaram vários espetáculos do Royal Ballet. E fazem par romântico também na vida real: vão se casar em 2008.Para o bailarino, poder trabalhar com a pessoa que ama é um privilégio. "Muita coisa ali não é interpretação", afirma.Ainda em dezembro, Thiago Soares se apresenta no Brasil. Ele vai dançar o Quebra-Nozes com o Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro."Tenho muito interesse em fazer um trabalho no Brasil, levar um pouco do que aprendi e ajudar a criar a nossa história."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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