Mary Melgaço/AE
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Bahia abriga pela 1ª vez o principal evento chocolateiro do mundo

Por três dias a Bahia atraiu a atenção de chocolateiros do mundo todo. Dezenas de milhares de pessoas participaram do Salon du Chocolat Bahia, de 6 a 8 de julho. A programação incluiu visitas à região de Ilhéus e Itacaré, no sul da Bahia, conferências no fórum que discutiu o futuro do cacau e do chocolate no mundo (leia mais abaixo), palestras e workshops.

Cíntia Bertolino - ESPECIAL PARA O ESTADO,

12 de julho de 2012 | 10h56

Foi a primeira vez que o maior evento de chocolate do mundo foi realizado em um país produtor de cacau. E aproveitando o ditado "baiano não nasce, estreia", o Salon du Chocolat Bahia nem bem começou já virou marco e entrou para o calendário de atividades de Salvador. O coordenador do evento, Diego Badaró, do chocolate Amma, tem contrato para mais cinco edições do evento por aqui e já marcou a data do encontro no ano que vem: de 11 a 14 de julho.

A estreia baiana foi bem longe do ambiente climatizado dos centros de convenções, com uma volta às origens que levou um bocado de gente para a lavoura. A ideia era ficar frente a frente com o cacaueiro e ver onde é que começa a história de um bombom fino, a vida da barra de chocolate assinada por aquele chocolatier tão bom.

Na lavoura. Durante a visita às fazendas, mas também em todos os momentos do evento, prevaleceu o mesmo tom: a despeito do abandono da lavoura cacaueira por muitos anos no Sul da Bahia, há um movimento muito claro para que a região volte a produzir - e com mais qualidade.

O Salon foi uma oportunidade para muita gente conhecer o chocolate artesanal. E para muitos chocolatiers serem apresentados ao cacau. Um dos pontos altos, a visita à fazenda Santa Cruz, causou surpresa até mesmo a profissionais experientes, como o francês Sébastien Bouillet. Com lojas em Lyon e Tóquio, ele nunca tinha estado numa fazenda de cacau. "Foi uma experiência memorável, vai mudar a forma como faço chocolate", disse.

A especialista em chocolate e autora do livro The Chocolate Connoisseur, Chloé Doutre-Roussel, foi além: "Levar as pessoas para conhecer as fazendas de cacau é algo inédito num evento como o Salon du Chocolat. Além de ser uma oportunidade para que chocolatiers encontrem novos fornecedores, é também a realização de um sonho para quem trabalha com chocolate".

No dia da visita às fazendas, a chuva deu uma breve trégua para que chocolateiros, palestrantes e visitantes pudessem se misturar à paisagem, caminhar sob o sol forte e provar o fruto tantas vezes descrito na obra de Jorge Amado - no ano em que se comemora o centenário de nascimento do escritor, nada mais apropriado do que começar a conversa sobre chocolate em uma fazenda de cacau.

Pela estrada da fazenda Santa Cruz, em Taboquinhas, cidade próxima a Itacaré na direção do interior, cercada de cacaueiros a perder de vista, com frutos de diferentes cores e tamanhos, uma romaria caminhou por alguns quilômetros até a plantação.

Ali um grupo de funcionários da fazenda abria os frutos, retirava a polpa de cacau e separava a cibira (parte fibrosa que prende os gomos) para fazer doce.

O cacau é um desses frutos pródigos dos quais tudo se aproveita: a casca vira adubo e a montanha branca de polpa antes de ser levada para fermentar verte um líquido quase transparente de doçura e sabor ainda mais delicados que a polpa do cacau. E quem trabalha na lavoura sabe e vai logo avisando: não se pode exagerar na polpa, toda essa doçura dá um sono danado.

Depois de tanto cacau e mel, era hora de encarar os corredores abarrotados do Centro de Convenções da Bahia, em Salvador, que em três dias recebeu 30 mil visitantes, segundo a organização do evento.

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