Bahia abre concurso para coreógrafos

Se você é coreógrafo e tem algum projeto que caiba dentro da rubrica "linguagem contemporânea", eis a sua chance. Até o dia 20, o Ateliê de Coreógrafos Brasileiros está aceitando inscrições para um edital que premiará cinco projetos. A idéia é de Eliana Pedroso, uma ex-bailarina formada pela Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia que, há nove anos, abandonou a sua carreira no Balé do Teatro Castro Alves para tornar-se produtora profissional. Eliana criou o Ateliê de Coreógrafos Brasileiros no ano passado e conseguiu reeditá-lo agora, graças ao patrocínio da Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia, da Copene Petroquímica do Nordeste S/A e da TIM Maxitel."O objetivo é fazer de Salvador um pólo produtor de dança contemporânea, abrindo mercado para os profissionais locais e, ao mesmo tempo, promovendo o intercâmbio com coreógrafos de outras regiões", explica Eliana. "E isso nasce também com um olho no passado, inspirado na ousadia das Oficinas de Dança Contemporânea dos anos 80, desejando resgatar aquela vocação de referência em dança contemporânea que existia em relação à nossa cidade", afirma.Trata-se de um edital muito original, que pede uma leitura cuidadosa. Quem se candidatar, deve saber que passará dois meses em residência em Salvador, a partir do início do julho. Lá, escolherá o elenco com o qual quer trabalhar, bem como os profissionais que desejar entre cenógrafos, figurinistas, iluminadores e músicos, uma equipe com até cinco membros. Se quiser, poderá levar até o máximo de três intérpretes de seu grupo para completar o máximo de dez bailarinos que o edital admite por produção. Há uma exigência: 70% dos envolvidos devem estar morando há pelo menos dois anos na Bahia. As informações completas estão no site www.ateliedecoreografos.com.br e podem ser solicitadas também pelos fones (71) 330-1574 ou 330-1700."Nós assumimos os recursos humanos e materiais para a produção dos espetáculos, além da sua administração, divulgação e circulação e, como os recursos desse projeto são todos locais, assumimos o compromisso com nossos patrocinadores de que entre os cinco escolhidos, pelo menos um será da Bahia", complementa Eliana.Os produtos finais serão apresentados em setembro no Teatro Castro Alves, ocasião em que será realizado também um seminário com debates, workshops, exibição de vídeos e aulas públicas. O projeto, na verdade, já começou. No ano passado, para marcar o seu lançamento, ofereceu o excelente A Primeira Madrugada do Mundo, uma nova criação de Gisela Rocha, a talentosa criadora e diretora da extinta companhia Terceira Dança, que hoje trabalha em Zurique.A baiana Gisela selecionou dançarinos locais (Ana Maria Agazzi, Evelin Moreira, João Perene, Karen Kelly, Michele Bastos e Simone Bonfim) e realizou um espetáculo no qual confirmou que continua sintonizada com as discussões que interessam na dança contemporânea.A comissão que julgará os inscritos deste ano é formada por Angel Viana, Rosana Cunha, Sonia Sobral, Ernesto Gadelha e a própria Eliana Pedroso. E terá como objetivo "revelar o coreógrafo que já possui um identidade mas ainda não conseguiu furar a barreira do mercado", diz Eliana. Cada projeto selecionado disporá de uma verba de até R$ 35 mil para contratação de mão-de-obra e aquisição de recursos materiais. A produtora estima que cada um dos cinco projetos estará oferecendo trabalho para cerca de 50 profissionais. "Nosso propósito é fomentar a dança como profissão viável na Bahia." Orçado em R$ 577 mil, o Ateliê de Coreógrafos Brasileiros surge como uma iniciativa que merece todo o sucesso e apoio.

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