Baden Powell inédito na TV Cultura

A TV Cultura apresenta neste domingo, às 19 horas, no programa As Faces do Mundo, o documentário inédito Baden Powell ? Um Velho Amigo, que tem roteiro e direção do francês Jean-Claude Guiter e imagens tomadas entre Paris e a cidadezinha de Varre-e-Sai, no interior do Estado do Rio, onde nasceu o violonista, além de cenas de arquivo ? entre elas, algumas do acervo da própria Cultura: depoimentos de Baden a Fernando Faro, no programa Ensaio.Com pouco mais de 54 minutos de duração, o documentário foi realizado no início do ano. A montagem parece ter sido póstuma (Baden morreu, depois de uma pneumonia, no dia 26 de setembro): na última cena, uma reunião num salão de Varre-e-Sai, cercado pelos moradores da cidade, Baden parece despedir-se não apenas dos conterrâneos, mas da vida.Como não foi possível obter do diretor declarações a respeito, esta pode ser apenas uma impressão; se é assim, revela um dom premonitório de Guiter. Ele levou Baden, saudável, a Paris e a Varre-e-Sai especialmente para montar o documentário. Os depoimentos ? de Paulo César Pinheiro, Carlos Lyra, Hermínio Bello de Carvalho, Toquinho, dos parceiros franceses Pierre Barouh e Claude Nigaro, foram dados com o músico ainda vivo.Um Velho Amigo começa onde deveria ? nos dedos de Baden Powell, ferindo as cordas do violão, extraindo o som único em sambas como Berimbau e Água de Beber (as duas têm letra de Vinícius de Morais).?Baden é índio, europeu, caboclo, africano ? ele traduz o Brasil, a cor de seu violão tem a volúpia do Brasil?, diz Hermínio Bello de Carvalho, no primeiro depoimento do documentário. ?Baden fundou uma escola que começa e acaba nele mesmo? ? é uma afirmação arriscada, mas Hermínio tem razão. Não há herdeiros para a arte de Baden Powell.Paulo César Pinheiro, parceiro em mais de uma centena de composições, afirma que nenhum músico brasileiro da segunda metade do século deixou de sofrer influência de Baden Powell e de Tom Jobim.De carro, Baden chega a Varre-e-Sai, cidade que deixou ainda muito pequeno. Não voltou lá muitas vezes e esta visita foi feita especialmente para o documentário. No entanto, é a terra natal. ?Nasci numa ciadadezinha pequenininha?, conta o violonista, e recebe abraços, emociona-se. A bandinha toca. Baden enxuga lágrimas. ?Mas meu pai me ensinou a ter saudades de Varre-e-Sai, como se eu tivesse sido criado aqui?, conta. ?Então, eu vivo à procura de Varre-e-Sai. É minha história, são minhas raízes.?Numa cena emocionante, ele toca Carinhoso, numa festa de quintal, acompanhando o saxofone de Pixinguinha; em outra, marca o ritmo para um jongo batido com prato e garfo por João da Baiana. Em cenas mais novas, divide a roda de choro com uma turma que já se fez musicalmente sob sua influência ? Ronaldinho do Bandolim (do Época de Ouro), a flautista Andréa Ernst Dias, o trio Madeira Brasil. O documentário apresenta, ainda, momentos do concerto, nos anos 60, que reuniu pela primeira vez em cena, no palco do Olympia, em Paris, Baden, Tom Jobim, Miúcha, Toquinho e Vinícius de Morais. Não há muitas músicas apresentadas inteiras, mas trechos de Lapinha, Samba da Bênção, Canto de Ossanha, Samba Triste, Berimbau ? no total, mais de 20 títulos que ilustram a arte de um dos mais importantes músicos do século num belo trabalho documental.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2000 | 13h44

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