Back2black vibra mesmo sem Prince

Da cantora Chaka Khan ao grupo do Mali Tinariwen, evento surpreende e termina com saldo positivo

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

Imagine um grupo musical que vive tão isolado que até uma década atrás não tinha ouvido falar nos Beatles. Desde o início desse século, quando conheceu o sucesso internacional, o Tinariwen, coletivo de tuaregues que só troca suas tendas no Deserto do Saara pelos hotéis das turnês, vem rodando a Europa e os Estados Unidos (até o início de dezembro, tem 49 shows fechados); entre nós, pouca gente conhece sua música, tampouco seu visual singular.

Só mesmo convidado pelo Back2black o grupo estendeu suas milhas de Mali, no Noroeste do continente africano, até aqui. Na sexta-feira, empolgou a plateia da Estação da Leopoldina, no Rio; amanhã, toca na versão pocket do festival no Bourbon Street, em São Paulo.

Num evento desfalcado por Prince, que furou cinco dias antes, as atrações de maior público - cerca de quatro mil pessoas cada - foram as já conhecidas: Macy Gray e Chaka Khan. A primeira fechou a sexta num bailão animado; a Rainha do Funk e do Soul, num sábado esvaziado pela ausência do nome principal, fez um show caprichado, mas menos empolgante.

Foram os seis tuaregues a grande surpresa, com roupas típicas e lenços a lhes cobrir os rostos, e um som algo hipnótico, com sonoridade prima do blues. Mesmo sem entender as letras, os cerca de 1.500 presentes se deixaram contagiar. "É nossa primeira vez na América do Sul. As pessoas se identificam em todo lugar porque sentem que é algo profundo", dizia, antes de subir ao palco, Eyadou Ag Leche, o baixista, de 32 anos.

Viagens. Marcadas por atrasos, as noites, dançantes, foram mesmo de viagens musicais. A sexta começou com a simpática e competente fadista Ana Moura, que recebeu Gilberto Gil para cantarem, unindo sotaques, músicas dos dois repertórios. Macy Gray saudava o tempo todo a "sexy people of Rio". Fez um show vibrante, com momentos de coro, como no seu maior sucesso, I Try, e nos covers de Creep (Radiohead) e Nothing Else Metters (Metallica), e mostrou faixas do último CD, The Sellout.

No sábado, Oumou Sangaré, estrela no Mali, arrebatou uma plateia ainda morna com a voz poderosa. Depois de Chaka, o vazio deixado por Prince foi preenchido pelo cheio de hits Jorge Ben Jor, que chamou Caetano Veloso em Ive Brussel. "Prince para quê?", brincavam alguns.

Mas não é bem assim: quem pagou até R$ 450 pelo passaporte integral não achou graça (o dinheiro de quem abriu mão será devolvido; no entanto, nas redes sociais, onde havia sido criado o movimento "Não vou ao Back2black com preços extorsivos", circulam reclamações sobre o sistema de reembolso). No domingo, a expectativa era pelo show do rapper norte-americano de origem panamenha Aloe Blacc, outro que estreia no Brasil (estará terça no Bourbon Street). "As pessoas escutam música para se sentir melhor, e é isso que vim fazer", explicou, em entrevista no sábado.

BACK2BLACK EM SP

Amanhã. Bourbon Street - Rua dos Chanés, 127. Tel 5095-6100. 21h30 - Tinariwen; 23h - Aloe Blacc. De R$ 70 a R$ 120

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