Back2Black estreia em Londres com Gil, Emicida e Criolo

Não existem fronteiras na África de Amadou & Mariam. Desde que se tornaram estrelas internacionais, nos últimos dez anos, o talentoso casal de cegos do Mali transita por estilos e colaborações variadas, fazendo do blues e da hipnótica polirritmia do Oeste africano moedas de troca em vibrantes diálogos musicais. Em parcerias com Manu Chao, David Gilmour ou Damon Albarn, Amadou & Mariam operam uma verdadeira diplomacia sonora, em que pop, funk, indie e música cubana conversam com a tradição do Mali, e exemplificam a essência abrangente da world music.

AE, Agência Estado

29 de junho de 2012 | 10h04

"A música do meu país e de todo o Oeste africano é inseparável do blues e do rock. Está tudo lá, em sua raiz, há muito tempo. Por isso, é uma música maleável, que se mistura facilmente com a música atual. É uma coisa que acontece naturalmente", conta Amadou, por telefone, de Paris. A dupla é um dos destaques da edição britânica do festival brasileiro Back2Black, que ocorre, a partir desta sexta, em Londres, e reúne nomes brasileiros (Gil, Jorge Ben Jor, Criolo, Emicida) e mundiais da música negra (Femi Kuti, Mulatu Astatke, Macy Gray). A escalação de Amadou & Mariam não poderia ser mais pertinente em um festival que tem diálogos culturais como base de sua curadoria.

No ótimo novo disco, "Folila", lançado este ano e disponível para download pelo iTunes, o casal (Mariam canta, Amadou canta e toca guitarra) colabora com nomes variados, como sempre. Há o pop star francês Bertrand Cantat e os bluesmen do indie rock, Tunde Adebimpe e Kyp Malone, integrantes do TV On The Radio. Há também Nick Zinner, dos Yeah Yeah Yeahs, Jake Shears, dos Scissor Sisters, e o inglês Ebony Bones. Mas a forma com que o disco foi feito é o grande destaque. "Folila" (música em bambara, dialeto do Mali) foi gravado em três tempos. Primeiro, em NY, com os parceiros internacionais (a cantora Santigold também participa). Segundo, no Mali, onde músicos de comunidades populares, de musicalidade tradicional, deram o sotaque malinês às bases do disco.

A dupla então levou o disco a Paris, onde o montou com as gravações feitas de ambos os lados do Atlântico. "Os músicos do Mali gostam de parcerias, mas acho que nós conseguimos ampliar essa ideia. Sempre chamamos muitos artistas para colaborar em nossos álbuns. Desta vez, tivemos mais cantores e gravamos de forma diferente", conta Amadou.

O Brasil é o grande foco da curadoria, e naturalmente traz os dois nomes mais expressivos de seu hip hop, Criolo e Emicida. O primeiro, já conhecido em palco internacional pelo público do Coachella, reforça em Londres sua relevância como uma das vozes mais criativas da música brasileira. O segundo chega após um ano badalado, e dá sequência às primeiras faíscas substanciais de sua carreira fora do País. O incensado disco "Nó na Orelha", de Criolo, foi resenhado pelo Guardian recentemente, e recebeu elogios como "fora de série". O show de Criolo será um dos mais disputados, pois o rapper brasileiro toca em parceria com o lendário jazzman etíope Mulatu Astatke. Se há algum diálogo a ser estabelecido neste Back2Black londrino, este gira mais em torno de Mama África e Brasil do que qualquer outra coisa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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