Back2black anuncia edição em Londres

Evento em junho focará a cultura entre Brasil, África e Portugal

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2012 | 03h11

Os laços culturais entre África, Brasil e Portugal são o tema da edição britânica do festival Back2Black, já realizado duas vezes no Brasil, e programado para levar literatura e música relacionadas ao continente mãe e sua diáspora às margens do Tâmisa, no fim de junho. O evento, que inclui música e encontros literários, tem Gilberto Gil como embaixador e será realizado com o Barbican, influente centro cultural londrino. "Culturas híbridas como a afro-americana e afro-caribenha, por exemplo, são conhecidas e têm um grande impacto. Mas há diversas combinações menos conhecidas entre a África e sua diáspora, nas quais devemos prestar atenção", explicou Gil, em uma coletiva, nesta quarta-feira.

"Essa é a proposta de um festival desse em Londres. Tratando-se da cultura afro-brasileira, queremos dar continuidade ao trabalho de conscientização que ocorre desde os anos 60", completa Gil. O elenco completo do festival ainda não foi divulgado, mas a direção do Back2Black já confirmou shows de Criolo, Marcelo D2, Emicida, o próprio Gil, Filhos de Gandhi e Arnaldo Antunes com Edgard Scandurra, entre outros, como a fatia brasileira da programação musical. Trata-se de uma exportação do hip-hop nacional, que nos últimos anos voltou à cena e se consolidou como uma das principais vertentes da MPB. "O mundo muitas vezes está mais ligado no Brasil do que nós mesmos. O hip-hop se universalizou nas últimas décadas. Há hip-hop forte em países árabes, africanos, europeus. É forte no Brasil também, uma camada que se juntou a outras vertentes da world music", explica. Artistas africanos estão escalados. Entre eles, Toumani Diabaté, Femi Kuti e Fatoumata Diawara e Amadou & Mariam. O rapper britânico Roots Manuva e o DJ de funk Marlboro, acompanhado de Sandy Pitbull e Cabelo, também tocam.

"Foi uma curadoria difícil, pois há muitos africanos em Londres e queríamos fazer uma programação interessante, que fugisse do padrão", conta o escritor angolano José Eduardo Agualusa, responsável pela curadoria das palestras. Bia Lessa assina a direção de arte e cênica e Connie Lopes, a direção-geral.

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