Divulgação/North Grill
Divulgação/North Grill

Bacalhau é preciso

Selecionamos os melhores pratos e petiscos feitos com o peixe - e que custam menos de R$ 100

O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2012 | 03h00

Não pode existir quem acredite que seja boa ideia passar um enorme tempo longe de algo de que você goste muito. A saudade pode até ser boa para alimentar a vontade de reencontrar. Mas nós achamos é que você deve ser saudoso com moderação. Bom mesmo é estar perto. É poder pegar na mão.

 

Então faça isso. Pegue na mão aquele bolinho de bacalhau, tão sequinho e tão crocante, e leve aos lábios (de olhos fechados). Em seguida, faça um brinde (o primeiro de muitos, esperamos) ao bacalhau - uma delícia que você pode saborear o ano todo, mas muitas vezes se esquece, e aproveita pouco.

 

Há quem espere meses e mais meses para comer bacalhau - e faça isso apenas duas vezes por ano, na Páscoa e no Réveillon. Mas aqui no Divirta-se nós somos muito emotivos e, com a paixão que temos pelo peixe, não conseguimos nem pensar em esperar - até porque definitivamente não acreditamos nessa história de amor à distância. E nem devemos acreditar, com tantos lugares legais e cardápios cheios de opções deliciosas.

 

E queremos muito que você faça o que fizemos enquanto preparávamos a seleção que ocupa as nossas próximas páginas. Passeie pela cidade, explore diferentes lugares, e prove todos os tipos de pratos feitos com o peixe. Tal como o amor, o bacalhau é forte, tem muitas formas, cheias de nuances. São tantas que, muitas vezes, podem até deixar a pessoa um pouco destemperada.

 

Mas sempre será possível encontrar o par perfeito para o seu almoço, jantar - ou para sair para beber com os amigos. Seja em postas, na brasa, com ou sem molho, temperados no estilo português, basco, brasileiro, ou de qualquer outro país, em porções de bolinhos, em açordas, trapos... Encontre o seu.

 

 

Pleonasmo sim, e daí?

 

Pedir uma entrada com o mesmo ingrediente do prato principal é, como dizem os portugueses, ‘parvoíce’. Mas só até a primeira dentada em um bolinho de bacalhau.

 

MAIS QUATRO. O potinho vermelho de cerâmica é posto sobre a mesa e, se piscar, perdeu. Os quatro inacreditáveis bolinhos (R$ 9) do Da Terrinha são a materialização do clichê ‘cascudinhos do lado de fora e cremosos por dentro’. O melhor? Você pode ir ao restaurante, a partir das 17h, só para comê-los. É que neste horário abre a ‘tasca’, salão contíguo ao principal onde é servido um cardápio só de petiscos.

Al. dos Aicás, 1.501, Moema, 5096-2569.

 

VOLTA AO PASSADO. Ir à Casa Santos, no Pari, é voltar no tempo. O salão imenso, as toalhas de tecido cor de vinho, os garçons de trato formal... e o bolinho grandalhão (R$ 4,40), com sabor pronunciado de alho, que pede aquele banho de azeite.

R. Cons. Dantas, 92, Pari, 3228-5971.

 

BOLINHO É A MÃE. Pataniscas não são bolinhos de bacalhau. Mas merecem a alcunha mais do que os propriamente ditos - afinal, são feitas quase que apenas com o peixe. Quer provar a diferença? Peça seis delas (R$ 24, a porção) na Taberna 474.

R. Maria Carolina, 474, Pinheiros, 3062-7098.

 

QUAL VAI? Na Tasca do Zé e da Maria, casa montada por ex-funcionários do classicão Antiquarius, os bolinhos são pequeninos, quase efêmeros. Ainda bem que dá para moldar a porção à sua vontade de comer: 12 (R$ 18) ou 24 (R$ 29).

R. dos Pinheiros, 434, Pinheiros, 3064-0107.

 

SÓ O QUE INTERESSA. Dos muitos bolinhos de bacalhau que provamos, o do Amadeus (R$ 24, a porção com 8) figura entre os preferidos. Quase não há massa. A casca, fininha, conserva compacto muito peixe, temperado na medida.

R. Haddock Lobo, 807, Cerq. César, 3061-2859.

 

Tire uma lasquinha

 

No pão, na salada, na sopa. Feito churrasco, com deliciosas batatinhas e até entre as lâminas de uma italianíssima lasanha. Não se acanhe, puxe a sua.

 

BONS COMPANHEIROS. Bacalhau à moda espanhola é quase sacrilégio. Mas o toque de páprica é responsável pela graça maior do ‘Revuelto de Bacalau’ (R$ 29,50), servido no Venga!. Desfiado, com creme de ovos mexidos, casa bem com as batatas (assadas com casca e tudo) e as amêndoas laminadas que lhe fazem companhia.

R. Delfina, 196, V. Madalena, 3097-9252.

 

CHURRASCO PASCOAL. O gosto defumado que só a churrasqueira dá permanece em tempos de bacalhau. No North Grill, a posta do peixe, grelhada com batatas ao murro (R$ 79), mantém a umidade interna, se desmanchando em lascas. Shopping Frei Caneca, 3º piso.

R. Frei Caneca, 569, Consolação, 3472-2109.

 

SEM VERGONHA. Comer na calçada é coisa rara em São Paulo, e o espaço da Academia da Gula é um dos melhores: uma esquina pouco movimentada na Vila Mariana, perto do Parque do Ibirapuera, abriga as mesas do restaurante da portuguesa Rosa. Não tenha vergonha de pedir a porção de ‘Punhetas’, um delicioso bacalhau cru desfiado com cebola e (bastante) azeite (R$ 55, inteira; R$ 39, meia). Se quiser fugir dos clássicos, uma boa pedida é a saborosa lasanha de bacalhau (R$ 35). No sábado, a ‘Academia’ funciona em regime especial: ocupa casas vizinhas e ganha mais 50 mesas. Alguns preços também mudam: a lasanha sobe para R$ 39.

R. Caravelas, 374, V. Mariana, 5572-2571.

 

BAGUNCINHA DE ITALIANO. Os portugas donos de boteco sabem muito bem: a textura sedosa do feijão fradinho casa perfeitamente com o gosto de mar do bacalhau. E os italianos do Mangiare dão uma bagunçadinha na tradição ao juntar os dois ingredientes ao mini arroz brasileiro na salada que abre o ‘Menu Della Pasqua’ (R$ 70; também inclui prato principal e sobremesa), que será servido exclusivamente neste feriado.

Av. Imperatriz Leopoldina, 681, V. Leopoldina, 3034-5074.

 

BOM FILHO. Filial de Lisboa, o Tasca da Esquina atrai muita gente pelo bacalhau ao forno. Mas prove as postas de bacalhau com paio português e azeitonas (R$ 82). O paio vem como chips, e as batatinhas assadas que acompanham o prato são deliciosas.

Al. Itu, 225, Cérq. César, 3262-0033.

 

TRAPO FINO. Os ‘Trapos’ do Tordesilhas são lascas do peixe cru, com beijus de massa (bem macia) de mandioca (R$ 24). O petisco é servido também na ‘Comissão de Frente’, entrada que vem ainda com abobrinha marinada e caruru (R$ 46, p/ dois; R$ 25, para um).

R. Bela Cintra, 465, Consolação, 3107-7444.

 

TAPA DE AMOR. Na Adega Santiago, não fuja da dupla sopa e pão. Da ‘Açorda’ (R$ 40), com seu belo ovo, siga para a tapa, um pão quentinho, com pasta de grão de bico, uma lasca do peixe, alho, páprica e pimentão. Encontrá-lo na ‘Tapa do Dia’ (R$ 24) é uma sorte que você terá neste fim de semana.

R. Sampaio Vidal, 1.072, Pinheiros, 3081-5211.

 

O resto é fado

 

Não há nada pior do que ficar triste à mesa. Reúna os amigos, divida com eles os pratos abaixo - e, se for ao Canindé, entregue-se e cante junto

 

BOM CONSELHO. Leve a família (ou um monte de amigos) ao Da Terrinha. Só assim você elimina da visita o drama de ter de escolher entre as lascas de peixe salgadinhas entremeadas por batata palha, ovos e azeitonas do ‘Bacalhau à Brás’ e o gratinado com gostinho de forno do sublime - e cremosíssimo - ‘Bacalhau com Natas’ (ambos a justos R$ 37).

Al. dos Aicás, 1.501, Moema, 5096-2569.

 

AMOR ANTIGO. O Maripili é paixão sem fim, daquelas que jamais arrefece. E o ‘Bacalhau à Viscaína’ (R$ 34) é apenas um entre os tantos motivos. Dois pedaços

do lombo do peixe dividem o prato, cobertos pelo molho ardidinho e doce que leva maçãs, cebolas e pimentões - e pede para ser raspado pelas fatias de pão.

R. Alexandre Dumas, 1.152, Chác. S. Antônio, 5181-4422.

 

COMEÇO DE NAMORO. O Quinta de Santa Maria é amor à primeira vista. Você entra e pensa que a experiência será boa. O prato chega e você tem certeza que será feliz para sempre. O ‘Bacalhau à Quinta de Santa Maria’ (R$ 84,80) vem com azeitonas, cebola, brócolis e pimentão - tudo regado com muito azeite e um sabor adocicado - e batatas ao murro.

R. Cerro Corá, 1.548, Alto da Lapa, 3022-2499.

 

SURPRESA E CERTEZA. Seja no balcão, onde as tapas mudam todos os dias, ou no cardápio fixo, o Donóstia tem opções deliciosas. Do primeiro, veio o ‘Piquilo’ (R$ 10): um pimentão docinho, recheado com peixe bem temperado. Do cardápio, veio o ‘Bacalao al Pil-Pil’ (R$ 49): duas postas de gadus morhua, servidas em um delicioso azeite, com lascas de alho tostadinho.

R. Simão Álvares, 484, Pinheiros, 3034-0996.

 

EM FOGO LENTO. A posta de um quilo (que inclui a parte mais gorducha do lombo do bacalhau) é grelhada inteira, do jeitinho que os portugueses gostam. Acompanhado de batatas, brócolis e bastante alho frito, o bacalhau na brasa (R$ 145) do Taberna 474 alimenta (com garbo!) até três pessoas.

R. Maria Carolina, 474, Pinheiros, 3062-7098.

 

FADO DA VELA. Escondido no Estádio do Canindé, o Cais do Porto Taberna serve o famoso ‘Bacalhau à Portuguesa’ (R$ 75), com postas do peixe cozido, grão de bico, ovos, brócolis e batatas; e o bacalhau às natas (R$ 70), gratinado com molho branco. O cartão do estabelecimento informa que ele abre às 18h, mas chegar cedo é bobagem, já que a marca do local é, com certeza, o ritual de música ao vivo entoado por Glória, irmã da proprietária Teresa Morgado. Pontualmente às 22h, de quinta a sábado, a simpática e elegante cantora desliga a TV e passa de mesa em mesa acendendo velas coloridas e cumprimentando os convivas. Chegou a hora do fado.

R. Nestor Pereira, 33, Pari, 3228-2627.

 

ESTÁ AVISADO. Ao pedir ‘Açorda’ (R$ 68) no Trindade, o garçom já avisa: "Você conhece o prato? É feito com bacalhau, miolo de pão e ovos. Vem muito coentro, tudo bem?". Mas não se assuste: o prato é muito saboroso. E vem bastante bacalhau também.

R. Amauri, 328, Itaim Bibi, 3079-4819.

 

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