Baby Doll fez tremer a censura

Nunca É Tarde Para Amar

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2012 | 03h10

16H05 NA GLOBO

(I Could Never Be Your Woman). EUA, 2007. Direção de Amy Heckerling, com Michelle Pfeiffer, Paul Rudd, Saoirse Ronan, Fred Willard.

Mãe de uma adolescente (Saoirse Ronan) que está descobrindo o amor, Michelle Pfeiffer também se apaixona - e por um jovem, Paul Rudd, o que a deixa cheia de dúvidas. Os atores são todos bons, a diretora acerta o tom, um programa simpático. Reprise, colorido, 97 min.

Os Sobreviventes dos Andes

23H30 NA CULTURA

(Stranded: The Andes Plane Crash Survivors). França, 2007. Direção de Gonzalo Arijón.

Documentário que reconstitui a famosa história dos sobreviventes de acidente aéreo nos Andes que praticaram canibalismo. O episódio real, no começo dos anos 1970, inspirou ficções feitas no México e nos EUA. O diretor Arijón fez seu filme na França, e contou com depoimentos de pessoas que viveram os fatos. Tanto tempo depois, o tema ainda mexe com as consciências, colocando em debate temas ligados ao próprio conceitos de civilização. Reprise, colorido e preto e branco, 112 min.

Audácia

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Chico Pereira.

Outro documentário, e premiado. Este reconstitui o cotidiano dos presos políticos da Colônia Penal Urbano Salles, em Florianópolis, durante a Operação Barriga Verde, quando o regime militar prendeu e segregou 42 pessoas acusadas de comunismo. Dois antigos integrantes do Partido Comunista, Júlio Serpa e Edgard Schatzmann, lembram o horror daquele tempo. E o primeiro lamenta, hoje, que não tenha visto a filha crescer. Reprise, colorido, 52 min.

TV Paga

Baby Doll/Boneca de Carne

14 H NO TCM

(Baby Doll). EUA, 1956. Direção de Elia Kazan, com Karl Malden, Carroll Baker, Eli Wallach, Mildred Dunnock.

Nada como o tempo. Ontem, o Telecine Cult exibiu, às 6 da tarde, Os Amantes, pelo qual o diretor Louis Malle foi ameaçado de excomunhão em 1958. Dois anos antes, a Liga de Decência dos EUA havia feito de tudo para banir das telas o longa que Kazan adaptou da história de Tennessee Williams. Carroll Baker faz a sexy casadinha com sujeito brutal (e desejada por comerciante esperto, que vai usar de astúcia para enganar o marido e seduzir a mulher). Que o filme passe agora à tarde, em horário livre, dá conta das transformações comportamentais dos últimos 50 anos (ou mais). Reprise, preto e branco, 114 min.

Era Uma Vez no Oeste

16H05 NO TCM

(C'Era Una Volta nell' West/Once Upon a Time in the West). Itália/EUA, 1968. Direção de Sergio Leone, com Claudia Cardinale, Henry Fonda, Charles Bronson, Gabriele Ferzetti, Woody Strode.

A chegada da estrada de ferro acirra conflitos no Velho Oeste e pistoleiro (Henry Fonda), agindo em nome da companhia, liquida proprietários que não vendem suas terras, prejudicando o traçado do 'cavalo de ferro'. O misterioso Charles Bronson e a sexy Claudia Cardinale têm cada um sua agenda de vingança. Grandes cenas, a trilha de Ennio Morricone, um western cult de Leone. Reprise, colorido, 165 min. O problema é a versão de 140 min, quase incompreensível.

Memórias

22 H NO TELECINE CULT

(Stardust Memories). EUA, 1980. Direção e interpretação de Woody Allen, com Charlotte Rampling, Jessica Harper, Marie-Christine Barrault.

Woody Allen estava numa fase de emular seus ídolos - Ingmar Bergman (Interiores) e Federico Fellini - quando fez este filme, que não é certamente um de seus melhores. Ele faz diretor que participa de um seminário sobre a própria obra e é assediado por fãs, homens e mulheres, e massacrado por críticos. Allen baseou-se em A Cidade das Mulheres, de Fellini, da mesma forma que, em Para Roma com Amor, o episódio do jovem casal de Pordenone evoca Abismo de Um Sonho, primeiro longa solo de Federico. O programa é mais interessante do que realmente bom, e o autor foi acusado, não sem razão, de narcisismo. Vale lembrar que, em Para Roma, a mulher psiquiatra (Judy Davis) diz que o marido (Allen) é a única pessoa que conhece e que tem três Ids. É uma piada tão sutil que quase ninguém ri na plateia. Reprise, preto e branco, 91 min.

Paixão Perdida

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil,1999. Direção de Walter Hugo Khouri, com, Antônio Fagundes, Fausto Carmona, Mylla Christie, Zezeh Barbosa, Andrea Dietrich, Paula Burlamaqui.

O último filme de Khouri integra-se ao (e encerra o) ciclo que ele próprio chamava de 'marcelhal', em torno ao personagem de Marcelo. Antônio Fagundes é quem faz o papel e o narcisismo, a busca da própria satisfação, o leva a destruir o filho. O garoto leva vida vegetativa após a morte da mãe. A chegada de Mylla Christie o estimula a sair da concha, mas o pai, insensível, faz sexo com a garota e condena o filho ao que o diretor também chamava de 'sono da morte'. Paixão Perdida tem muita coisa boa e bonita, mas tropeça num problema intransponível - o garoto (Carmona) não põe na tela o que seria o vazio nem o turbilhão do personagem. Maitê Proença faz a mãe, substituindo Vera Fischer. Reprise, colorido, 91 min.

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