Brasilio Wille / Divulgação
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Baby, da simplicidade nasce um musical

Depois da trupe de hippies de Hair, das loucas da Gaiola, dos dançarinos topetudos de Hairspray e dos artistas do vaudeville de Gypsy, todos em busca de liberdade e/ou de notoriedade, chega aos palcos um musical que trata de uma questão bem prosaica: a chegada de um bebê à rotina de um casal. Um fato corriqueiro, mas não descomplicado.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

Baby, montado nos anos 80 na Broadway, e agora em cartaz no Teatro João Caetano, no centro do Rio, mostra como o resultado positivo do exame de gravidez muda instantaneamente os rumos da vida da universitária que não pensava em constituir família e se vê com mais responsabilidade do que pode suportar (Sabrina Korgut, que quebrou o braço nos ensaios e nessa estreia é substituída por Daíra Sabóia); da mulher madura, com três filhas adultas, que engravida na comemoração de 30 anos de casamento e tem de voltar a pensar em fraldas (Sylvia Massari); da louca por bebês que está em vias de ter seu sonho realizado, e entra num estado de euforia insuportável (Amanda Acosta).

E os pais, vividos por Tadeu Aguiar (também o produtor do espetáculo e seu tradutor, com Flavio Marinho), André Dias e Olavo Cavalheiro, também têm suas fragilidades expostas.

"Um bebê de verdade!"; "Ele não pode viver comendo só misto-quente!", "E se não for com a minha cara?", perguntam-se. A plateia se emociona e ri do desequilíbrio emocional típico dos nove meses de gestação - ou, no caso do casal vivido por Amanda e André, de tentativas de engravidar, que fazem do sexo algo mecânico, "só cinco vezes por mês, no mesmo horário e em dias alternados do ciclo menstrual".

"Quando estreou, o crítico Frank Rich, do New York Times, ressaltou exatamente o aspecto humano, a qualidade da música e do texto, numa época de musicais grandiosos, de grandes cenários", lembra Fred Hanson, nova-iorquino com 30 anos de Broadway e dez de Brasil que dirige a montagem.

"São histórias de amor", sintetiza Tadeu, que este ano completa também 30 anos de palco. A curiosidade: tem a seu lado a atriz que fez sua mulher na peça inaugural, Aí Vem o Dilúvio. "Somos os dois de Ribeirão Preto, e eu sempre ouvia falar de um tal Tadeuzinho...", brinca Sylvia.

Os dois ganham a plateia pela segurança em cena; Amanda e André, pela graça e as vozes irretocáveis; os mais jovens, pelos timbres e pelo frescor.

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