Babenco ofusca Ford com Pixote

Legalmente Loira 2

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2010 | 00h00

14H15 NO SBT

(Legally Blonde 2: Red White & Blonde). EUA, 2003. Direção de Charles Herman, com Reese Witherspoon, Sally Field, Regina King, Jennifer Coolidge, Luke Wilson.

No segundo filme da série, Reese Whiterspoon, já advogada formada, vai trabalhar com uma congressista que finge apoiar sua campanha contra o uso de cães como cobaias em experiências científicas. Reese, mais legalmente loira que nunca ? e vestida de pink, claro ?, faz o Congresso tremer, conquista seu príncipe e delicia o público. Reprise, colorido, 95 min.

Jogo entre Ladrões

22H15 NA GLOBO

( Thick as Thieves). EUA/Alemanha, 2009. Direção de Mimi Leder, com Morgan Freeman, Antonio Banderas, Radha Mitchell, Robert Forster, Rade Serbedzija, Michael Hayden.

Antonio Banderas faz ladrão em baixa na carreira, que recebe proposta irrecusável do veterano Morgan Freeman. O outro, pressionado pela Máfia, precisa de alguém jovem para roubar a joia mais valiosa do mundo, em exposição na Rússia. Se existe uma ética no filme realizado por Mimi Leder, é a dos criminosos com estilo. Antes deste filme ? dez anos, pelo menos ?, Morgan Freeman interpretou, para a mesma diretora, o precursor de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos EUA em Impacto Profundo, lembram-se? Reprise, colorido, 104 min.

Pixote ? A Lei do Mais Fraco

2H25 NA GLOBO

Brasil, 1981. Direção de Hector Babenco, com Ferrnando Ramos da Silva, Marília Pêra, Jardel Filho, Ruben De Falco, Beatriz Segall, Toni Tornado.

Jacques Audiard, diretor do poderoso O Profeta ? em cartaz nos cinemas ?, admite que deve muito a Hector Babenco. Foi por meio de filmes como Pixote e Carandiru que ele descobriu como o cinema poderia investigar o universo carcerário. Carandiru discute a ética do crime por meio de criminosos formados, Pixote mostra o reformatório como a escola dos marginalizados. O menino é encarcerado, conhece a perversão e a violência na Febem. A fuga com um bando somente acelera sua escalada na transgressão. Grandes cenas, nenhuma mais impactante do que a Pietà, quando Pixote se aninha nos braços da prostituta, tenta sugar-lhe o seio e é rejeitado por Marília Pêra. O próprio ator, Fernando Ramos da Silva, seguiu carreira no crime, o que durante muito tempo foi cobrado de Babenco, como se ele fosse responsável. Um filmaço. Reprise, colorido, 128 min.

Amanhã

A Globo exibe amanhã, no Intercine, o preferido do público entre dois filmes que se esmeram em ser politicamente incorretos ? Obrigado por Fumar, de Jason Reitman, com Aaron Eckhart como porta-voz da indústria tabagista e os problemas que a função lhe causa, num mundo em que o cigarro é denunciado como prejudicial à saúde (EUA, 2005, fone 0800-70-9011); e Gigolô por Acidente, de Mike Mitchell, com Rob Schneider como o personagem-título, um nada atraente profissional da limpeza que se prostitui para pagar uma dívida (EUA, 1999, fone 0800-70-9012)

TV Paga

Sangue por Glória

22 H NO TCM

(What Price Glory). EUA, 1952. Direção de John Ford, com James Cagney, Dan Dailey, Corinne Calvert, William Desmaret.

O Festival John Ford do TCM prossegue com mais quatro filmes, dois hoje e dois amanhã. O primeiro é este remake de outra aventura de guerra que Raoul Walsh realizara em 1926. Coincidentemente, ou não, Walsh e Ford fizeram a travessia do cinema silencioso para o sonoro e se afirmaram como mestres, inclusive por seus magníficos westerns. James Cagney e Dan Dailey fazem inimigos cordiais ? um é subordinado do outro ? e ambos são soldados norte-americanos na França, em 1918, às voltas com Corinne Calvert, a quem tentam seduzir. O tom inicial ? comédia romântica, disputas viris ? muda para uma abordagem mais pesada da guerra, quando começam os combates para valer. Ford fez o filme entre O Amor de Um Valente (When Willie Comes Marching Home), também com Dan Dailey e Corinne Calvert, e o clássico Depois do Vendaval. É um de seus trabalhos menos conhecidos e, por isso mesmo, imperdível para cinéfilos interessados em conhecer a totalidade da obra do mestre. Reprise, colorido, 111 min.

Domínio de Bárbaros

23H55 NO TCM

( The Fugitive). EUA, 1947. Direção de John Ford, com Henry Fonda, Dolores Del Rio, Pedro Armendariz, J. Carroll Naish, Leo Carrillo, Ward Bond.

Um dos filmes mais prestigiados do mestre John Ford, mas não um dos melhores. Baseia-se no romance de Graham Greene que constrói uma paráfrase bíblica por meio do padre perseguido numa republiqueta latino-americana, na qual o catolicismo está proibido. O padre é traído por um de seus seguidores, o que faz a ponte não com apenas com a história do próprio Cristo, mas também com O Delator, pelo qual o cineasta ganhou seu primeiro Oscar de direção, em 1935. A fotografia super-elaborada de Rafael Figueroa de alguma forma artificializa o relato e compromete sua eficácia, mas muita gente acha que é um grande Ford. Só para que você já esteja preparado, o festival prossegue amanhã com dois filmes melhores ? Fomos os Sacrificados, às 22 horas; e Audazes e Malditos, à 0h20. Reprise, preto e branco, 104 min.

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