Babel Livraria Cultura de olho nos geeks EXPANSÃO

MARIA FERNANDA RODRIGUES

MARIAF.RODRIGUES@GRUPOESTADO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h08

Algumas livrarias inovam vendendo televisão. Outras, oferecendo pacotes de viagem. O e-book continua sendo novidade e a expectativa é que as pequenas e médias lojas comecem logo sua incursão no mundo digital. A Livraria Cultura pulou as duas primeiras opções - e a terceira já é realidade há um bom tempo. Ela experimenta agora um mercado não muito conhecido das concorrentes, mas bastante promissor por causa dos consumidores fanáticos: o de produtos geeks. Para usar o jargão dos livreiros, o mix de produtos da loja deve ser composto por games, livros para apaixonados por tecnologia e por eletrônicos, apetrechos para computador, telefone e tablet, e os próprios aparelhos. Mas uma boa loja geek vende até camiseta que acende quando encontra uma rede wi-fi, relógio espião, aquário a pilha, brinquedos para adultos com temas de filmes como Star Trek e por aí vai. Esse "mix" não estará à venda em todas as lojas da rede - pelo menos não por ora. A loja geek funcionará no Conjunto Nacional, em São Paulo, no espaço ocupado até o mês passado pela loja da Cultura que vendia exclusivamente livros da editora Record. A inauguração estava prevista para abril, mas foi adiada para maio por causa da reforma complicada.

PIRATARIA

R$ 1 milhão em indenização

Na editora Manole e nas livrarias, o atlas Anatomia Humana custa R$ 418. Na internet, a versão pirata, em CD, era oferecida por R$ 30. A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos entrou com processo e a sentença saiu agora: o responsável vai ter que pagar 3 mil vezes o valor de capa do livro, ou seja, mais de R$ 1 milhão, que devem ser usados pela associação em campanhas contra a pirataria. Cabe recurso.

NOVELA

Eça repaginado

"Uma história da fantasia e do fantástico, na qual ainda se vê, como nos bons e velhos tempos, aparecer o diabo, embora de casaca, e na qual ainda há fantasmas, embora cheios de boas intenções psicológicas." Foi assim que Eça de Queirós apresentou, em 1884, O Mandarim, previsto para abril pela Tordesilhas. As ilustrações são de Alberto Cedrón.

INTERNACIONAL

Clarice em maio

Com novas traduções e endosso dos escritores Orhan Pamuk, Jonathan Franzen e Colm Tóibín, chegam às livrarias americanas, em maio, quatro títulos de Clarice Lispector (foto) pela New Directions. As edições inglesas, da Penguin, ficaram para 2013.

ILUSTRAÇÃO

Traço premiado

Peter Sís, o checo que ganhou esta semana o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante da literatura infantil, na categoria ilustração, terá dois livros publicados no Brasil pela Companhia das Letras. The Wall sai em outubro próximo e The Conference Of The Birds, em agosto de 2013. O brasileiro Roger Mello concorria com ele na categoria.

HISTÓRIA

Pedro I, II

No momento em que o espanhol Javier Moro chega ao País para um tour de divulgação de O Império É Você (Planeta), sobre Pedro I, outro livro, sobre outro Pedro, é finalizado. Imperador Cidadão, do brasilianista britânico radicado no Canadá Roderick J. Barman, sai em maio pela Unesp - a edição original é da Stanford University Press. "Trinta e cinco anos de pesquisas sobre a política e a sociedade brasileira no século 19 levaram-me, de modo relutante, porém inexorável, de volta a d. Pedro II como a chave para compreender o desenvolvimento do Brasil como Estado-nação", explica o autor.

CURSO

Escrever como Gonçalo

Quando José Saramago entregou o prêmio que leva seu nome a Gonçalo M. Tavares, o Nobel disse que tinha vontade de bater no conterrâneo, que não tinha o direito de escrever tão bem aos 35 anos. Hoje, com 41 e tantos outros prêmios na bagagem, ele vem ao Brasil em maio para uma seleta oficina de escrita - que ocorrerá paralelamente ao 4.º Congresso de Jornalismo Cultural, promovido pela Cult. Apenas 11 aspirantes a escritor, que ele próprio vai escolher, vão participar.

EVENTO

Literatura indígena

Escritores pataxós, mundurucus, naingáns e de outras etnias indígenas, ilustradores e antropólogos se reúnem no Parque da Água Branca, em São Paulo, durante todos os fins de semana de abril para conversas sobre seus livros e origens. A programação, que inclui ainda oficinas de petecas e desenho, faz parte de Oca Di Versos, que tem curadoria de Deborah Kietzmann Goldemberg.

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