Babel

Machado de Assis, o primeiro antropófago brasileiro

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

"Nosso primeiro grande antropófago não foi Oswald de Andrade, e sim Machado de Assis." A frase é do professor de literatura da Uerj João Cezar de Castro Rocha, que participou de duas mesas sobre o modernista na Flip, e refere-se a uma edição que ele coordenou da Portuguese Literary & Cultural Studies - revista de ensaios da Universidade de Massachusetts Dartmouth - e que deve sair aqui como livro este semestre pela Alameda. O número é de 2005 e seu título original, The Author as a Plagiarist, causou incômodo no Brasil. "Há mais de dez anos, nos países de língua inglesa, discute-se o caráter criativo do plágio, não no sentido de cópia", diz Castro Rocha, que busca no texto de Machado argumentos para defender a ideia, apoiado por ensaios de Alfredo Bosi, Antonio Candido e estudiosos de outros países. No Brasil, optou-se por um título comportado "até demais", Machado de Assis - Ensaios e Revisões. Além desse volume, Castro Rocha havia sido editor convidado de outro número da revista, em 2001. Agora, assume o cargo fixo de editor executivo da publicação semestral. Começa organizando volume sobre o futuro da lusofonia, para junho de 2012. Além disso, inicia a edição, para a mesma universidade, de New History of Brazilian Literature, primeiro livro do gênero a sair originalmente em inglês e que fica para 2014.

FILOSOFIA

Ao mestre com carinho

Sai em setembro título anunciado pela Iluminuras como a primeira biografia intelectual de Roland Barthes (1915-80) feita no Brasil. O Crítico Se Ele Ainda Existe fez Leda Tenório da Motta se debruçar sobre a farta obra completa do francês. Ex-aluna do pensador, ela se lembra da manhã, em Paris, em que viu no portão da universidade um bilhete avisando sobre um acidente de Barthes - ainda não se sabia que seria fatal.

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A conclusão do novo olhar sobre Barthes: "Você descobre, assombrado, que aquele que parecia o pensador mais frágil de sua geração é o mais coerente". Para Leda, o filósifo "cada vez mais se mostra o melhor representante de sua geração. E, com isso, estamos falando de Michel Foucault, Levy Strauss, Jacques Lacan e Jacques Derrida".

QUADRINHOS

Cadáver ao mar

Uma criança vê no mar um cadáver de mulher. A partir daí se desenvolve Castelos de Areia (imagens), que abre, em setembro, a linha de HQs do selo Tordesilhas. Pierre Oscar Lévy, autor do texto ilustrado por Frederik Peeters, é documentarista, vencedor da Palma de Ouro de curta-metragem de 1983.

FRANKFURT

A primeira vez

Embora a CBL tenha preparado para a Feira de Frankfurt, em outubro, um estande 50% maior que o do ano passado, uma das maiores editoras do País não participará dele. A Record, que se prepara para as celebrações de seus 70 anos em 2012, estreia estande próprio nesta edição.

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Sobre a situação do mercado nos últimos meses, a diretora editorial Luciana Villas-Boas diz que as vendas deram uma esfriada, mas percebe um efeito colateral: "Acabam saindo mais títulos, porque as máquinas ficam menos ocupadas com reimpressões".

MINISSÉRIE

Refeito para a TV

A ficção jornalística O Analfabeto Que Passou no Vestibular (2008), de Felipe Pena, ganha este mês reedição mais enxuta e com novo título, Fábrica de Diplomas. A mudança acompanha o nome provisório de minissérie baseada no livro que o autor está adaptando para a Globo. Junto com a reedição, sai O Verso do Cartão de Embarque, o novo romance, que costura sete vozes narrativas.

CINEMA-1

DiCaprio e o Demônio

O Demônio da Cidade Branca, de Erik Larson, vai virar filme com Leonardo DiCaprio em 2013, mas antes disso ganha reedição no Brasil. Só que pela Intrínseca, e não pela Record, que o lançou em 2005. Pela nova casa no Brasil, o best-seller publica também seu novo título, In the Garden of Beasts.

CINEMA-2

Thriller no papel

De 2005, Drive, de James Sallis, acaba de ser comprado pela Leya. O interesse na obra foi posterior ao sucesso no cinema: o thriller baseado no livro, com Ryan Gosling e Carey Mulligan no elenco, rendeu ao dinamarquês Nicolas Winding Refn o prêmio de direção no Festival de Cannes. O longa, sobre um dublê que à noite trabalha de motorista para bandidos, estreia nos EUA em setembro. Por aqui não há data prevista para o filme, mas o livro sai ainda este ano.

EXPORTAÇÃO

O livreiro na Espanha

Serão mais simpáticas que a guerra de 2010 entre polícia e traficantes notícias do Complexo do Alemão que chegarão à Espanha em 2012. Direto do morro carioca, desembarca por lá a história de Otávio Cruz, que, de maleta a tiracolo emprestando livros a moradores, atraiu tantos leitores que acabou abrindo uma biblioteca de favela. A Panda Books acaba de vender os direitos de O Livreiro do Alemão para a Ediciones Ambulantes.

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