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Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2011 | 00h00

Barreiras nas negociações da Amazon com editoras

O peruano Pedro Huerta, executivo da Amazon na América Latina, segue no País na próxima semana, com encontros agendados em empresas do ramo no Rio e em São Paulo. Os objetivos - conseguir números precisos do mercado e fechar contratos para distribuição de conteúdo em português para outros países - não têm se mostrado simples. Tateando o universo dos e-books, muitas editoras não têm interesse em liberar dados para a loja. "Huerta está muito perdido porque o mercado está perdido", avalia um editor. Outro problema, segundo quem já leu o contrato proposto pela varejista, está no modelo do documento: a Amazon quer a prerrogativa de definir descontos sobre títulos que vende, podendo, por exemplo, comprar um livro a US$ 15 e vender a US$ 9. Nos EUA, as grandes editoras não sossegaram enquanto não alteraram contratos do gênero. Huerta até teria sugerido limitar os descontos a 20%-30%, mas, por ora, nada feito. Sobre abrir uma Amazon.br, possibilidade ainda distante, há quem veja outro empecilho: a maior loja virtual do mundo teria de enfrentar a Saraiva, que no Brasil tem mais força entre editoras, já que é também a maior vendedora de livros impressos do País.

UNIVERSITÁRIAS

Metas para a Abeu

O presidente da Editora Unesp, José Castilho, assume só em setembro o comando da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (Abeu), para o qual foi eleito mês passado, mas já iniciou conversas para sua gestão. Estão entre as prioridades aumentar o reconhecimento dessas editoras entre leitores e atrair de volta para a Abeu algumas das maiores casas do gênero, como Edusp e Editora Unicamp, que, há alguns anos, por discordâncias, criaram a dissidência Liga das Editoras Universitárias (LEU).

FESTIVAIS

Temporada de HQ

Os festivais de quadrinhos vivem fenômeno de multiplicação similar ao protagonizado por feiras literárias anos atrás. De dez eventos até o fim do ano, quatro estão na primeira edição: Gibicon (15-17/7), em Curitiba; Encontro Nacional de Estudos Sobre Quadrinhos (29-31/7), em Pernambuco; Jornadas Internacionais de Quadrinhos (23-26/8), em São Paulo; e Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (17-22/10). Curiosidade: dos dez encontros, três são acadêmicos.

CINEMA

Condessa em versão nacional

A húngara Erzséber Báthory (1560- 1614), personagem central de A Condessa Sangrenta (Tordesilhas), de Alejandra Pizarnik, chega em breve ao cinema nacional. Ao Relento, que a diretora Julia Zakia acaba de filmar, tem personagem inspirada na mesma figura histórica que Pizarnik recupera no romance. Georgette Fadel (à esq. na foto) vive uma versão da condessa, que, reza a lenda, tinha como segredo de beleza tomar banho com o sangue de jovens que mandava matar.

COLEÇÃO

Cronistas em série

Esse Inferno Vai Acabar & Outras Crônicas, do colunista do Estado Humberto Werneck, abre em setembro a série Arte da Crônica, com a qual a Arquipélago Editorial contemplará brasileiros dedicados ao gênero. Ainda em 2011, saem antologias de Luís Henrique Pellanda e Ivan Angelo. A meta é publicar três títulos por ano na coleção.

ROMANCE

Três começos de Ubaldo

João Ubaldo Ribeiro já escreveu três começos, com pequenas diferenças e 50 páginas cada um, para seu novo romance. "Mas só poderei eleger um e continuar em 2012, quando não atenderei ninguém pelas manhãs", diz o colunista do Estado, que anda ocupadíssimo com eventos literários: além da Flip, vai em breve a Viena e Bruxelas.

Colaborou Ubiratan Brasil

Era uma quinta-feira, completávamos sete anos de casados. Como sempre, você havia feito a torta de chocolate que comeríamos após a troca dos presentes. Por este motivo resolvi não te contar que havia sido demitido. Enquanto me barbeava notei uma ferida em minha fronte, mas, por ser o nosso aniversário, fingi não tê-la visto.

Eu te dei um anel que parecia um brilhante, você me deu uma gravata que fingia ser de seda. Ah! Antes que eu me esqueça, foi durante o jantar que percebi uma ferida, igual a minha, em seu pescoço. Mas era o nosso aniversário de casamento...

No dia seguinte saí cedo, fingi ir trabalhar, mas passei o dia sentado em uma sarjeta olhando as pessoas a passar, tentando imaginar para onde iam, ou quantas como eu fingiam ir a algum lugar. No banho dessa manhã notei outras feridas pelo meu corpo. Foi um longo dia, como todos de minha vida. Pensei em tentar acreditar em deus...mas não sabia o que era preciso para isto. Talvez baste apenas dizer...eu acredito! E assim as pessoas pensariam que de fato acredite. Sentia-me assustado.

TRECHO DE TEXTO QUE LOURENÇO MUTARELLI ENCENARÁ NO AUTORES EM CENA, NA PROGRAMAÇÃO DO ITAÚ CULTURAL NA FLIP. JOÃO GILBERTO NOLL TAMBÉM INTERPRETARÁ TEXTO PRÓPRIO

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