Babel

ROMANCE

, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2011 | 00h00

Os papéis de David Foster Wallace

The Pale King, o recém-lançado romance póstumo de David Foster Wallace (foto), se passa na agência da Receita Federal americana em Peoria, Illinois. É muito mais do que uma história sobre a rotina entediante de um exército de contadores de dinheiro. É um exame do engajamento - ou da alienação - do cidadão comum no presente americano.

O editor Michael Pietsch é um passageiro veterano da jornada vertiginosa de seu autor mais famoso. Como editor de Infinite Jest, de Wallace, o atual vice-presidente e publisher da editora Little Brown & Company estava habituado ao drama literário e humano que cercava esse cometa da literatura do fim do século passado. Depois de anos de luta contra a depressão clínica, Wallace se enforcou no dia 12 de setembro de 2008, aos 46 anos, deixando para trás, na garagem que usava como escritório na Califórnia, uma pilha de papeis estrategicamente visível.

Eram 250 páginas datilografadas de The Pale King, o livro que Michael Pietsch acaba de editar com a honestidade da ressalva: "É a minha versão do romance". Pietsch surpreendeu o Estado ao fazer uma pausa na conversa por telefone para limpar a voz embargada. O desafio de editar o livro foi emocional e intelectual, lembrou ele, e, às vezes, "os dois desafios coincidiam".

Os papéis de Wallace vão para a Universidade do Texas, onde estudiosos poderão debater à exaustão se a versão que dispara na lista de bestsellers e na estima dos críticos faz justiça ao autor. Michael Pietsch diz que sai transformado da experiência: "O editor não imagina os milhares de falsos começos do criador do manuscrito. Meu respeito pelos autores cresceu".

PSIQUIATRIA

Szondi em coleção

As principais obras do psiquiatra húngaro Leopold Szondi (1893-1986), pai do crítico literário Peter Szondi (1929-1971), serão colocadas no mercado no segundo semestre pela Editora É, que vai publicar nove livros do e sobre o criador do teste de Szondi, desenvolvido em 1943 e muito usado na área de criminologia para determinar o perfil pulsional da pessoa examinada. Entre os títulos está o clássico Analysis of Marriages: An Attempt at a Theory of Choice in Love (1937), sobre como as pessoas escolhem seus parceiros amorosos condicionados pela herança genética que recebem.

PRÊMIO

Para ignorados

Pelo quarto ano consecutivo, inconformados nomes da crítica francesa concedem o prêmio l"Inaperçu (Despercebido), que será entregue em maio no Café de l"Industrie, em Paris. Como sugere o nome, é um prêmio para recompensar um nome da literatura que passou ignorado nas listas oficiais dos melhores do ano. Entre os franceses que concorrem estão Claudine Lebègue, Laurent Cohen, Stéphane Fière, Michel Julien e Rémi Viallet. Entre os estrangeiros destaca-se o cult mexicano David Toscana, com três livros publicados no Brasil pela Casa da Palavra: O Último Leitor, Santa Maria do Circo e O Exército Iluminado.

BIOGRAFIA

Lima Barreto

No ano do centenário da primeira publicação de Triste Fim de Policarpo Quaresma, que acaba de ganhar nova edição pelo selo Penguin/Companhia das Letras, o escritor carioca Lima Barreto (1881-1922) vai ter seu livro póstumo, Clara dos Anjos (1948), adaptado para os quadrinhos. O lançamento está previsto para o segundo semestre pela mesma editora que publicou também Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), e programa uma biografia de Lima, a cargo da historiadora Lilia Moritz Schwarcz.

CINEMA

Spielberg

A editora WMF/MartinsFontes lança em novembro o livro Cavalo de Guerra, do inglês Michael Morpurgo, que inspirou o novo filme dirigido por Steven Spielberg, War Horse (foto), com estreia marcada para 28 de dezembro nos EUA. Ambientado na 1.ª Guerra, o livro conta a história de um garoto, Albert, e sua amizade com o cavalo Joey. A odisseia do primeiro conflito mundial é contada por meio da jornada do animal, treinado pelo garoto e depois adotado por várias pessoas durante a guerra, mudando a vida de muitas delas.

POESIA

Novo Nuno

Sai em setembro pela editora Iluminuras o novo livro de poemas do premiado artista plástico e escritor Nuno Ramos. Chama-se Junco e vem sendo preparado pelo autor há pelo menos uma década. Nele, a exemplo do alemão W.G. Sebald (1944-2001), Nuno usa fotos não exatamente para ilustrar os textos poéticos, mas como contraponto evocativo. Sebald, aliás, é um dos autores favoritos de Nuno, que ganhou o prêmio Portugal Telecom pelo livro Ó, em 2009, vencendo portugueses de peso como António Lobo Antunes, Inês Pedrosa, José Luís Peixoto e Gonçalo M. Tavares.

PROTESTO

Contra o casamento

William e Kate nem se casaram e o escritor inglês Martins Amis (A Viúva Grávida, que chega às livrarias sexta) já ameaça a união do casal real, que troca alianças dia 29. Ele contará em seu próximo livro, The State of England, as razões de considerar a Inglaterra decadente, associando o casamento do príncipe com a plebeia à derrocada do Império britânico. Não que Amis seja monarquista conservador. Ao contrário. Ele diz que gostaria de não ter nascido inglês para comentar algo que teria preferido ignorar.

Antonio Gonçalves Filho e Lúcia Guimarães

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