Babel

O legado de Sérgio Buarque em discussão

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Parceria do caderno Sabático com a Editora Unesp, um debate sobre o múltiplo legado do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982; foto) será realizado na segunda-feira, às 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos (SP). O encontro terá a participação do professor Marcos Costa, organizador dos dois volumes que compõem Escritos Coligidos de Sérgio Buarque de Holanda, publicados pela Unesp e Editora Fundação Perseu Abramo. Para discutir a obra de SBH foram convidados o professor de literatura Antonio Arnoni Prado, da Unicamp, o professor de Filosofia Sérgio Miceli, da USP, e o professor Robert Wegner, da Fiocruz. O mediador será Francisco Foot Hardman, professor de teoria e história literária da Unicamp.

Há mais de dez anos o historiador Marcos Costa estuda a obra de Sérgio Buarque de Holanda, tema de sua tese de doutorado. Ele selecionou para os livros artigos e resenhas publicados em jornais e revistas. O primeiro volume reúne textos escritos entre 1920 a 1949, inclusive um que esboça teorias desenvolvidas em Raízes do Brasil. O segundo volume se encerra com um texto publicado em 1973 no Estado, do qual foi colaborador, em que condena a História unicamente factual.

POESIA

Guilherme de volta

Recém-instalada no Brasil, a editora Babel, de matriz portuguesa, começa em novembro a lançar títulos em regime de coedição com a Secretaria de Estado da Cultura e a organização social Poiesis. O escritor Luiz Ruffato, curador da Babel, revela que o primeiro livro da lista é Poetas de França, há anos fora de catálogo. O volume reúne traduções de Baudelaire, Mallarmé, Verlaine, Claudel e outros poetas franceses feitas pelo modernista Guilherme de Almeida (retratado na tela abaixo, de Lasar Segall). Em 2012, duas outras obras estão programadas: Ensaios Sobre Augusto de Campos e Antologia de Poesia Russa. O último traz traduções de poetas russos do século passado, entre eles Anna Akhmátova, Khlébnikov e Arseni Tarkovski, pai do cineasta Andrei Tarkovski.

BIOGRAFIA

Malcom X revisitado

A biografia do líder negro Malcolm X escrita pelo acadêmico Manning Marable, Malcolm X: A Life of Reinvention, lançada este mês nos EUA, uma semana após a morte de seu autor, está provocando discussões sobre a autoria do assassinato do carismático defensor dos direitos dos afro-americanos, em 21 de fevereiro de 1965. Marable conclui que apenas um dos três acusados pela morte de Malcolm X era culpado - os outros dois estavam em casa no dia do assassinato. O esquadrão da morte seria formado por quatro outros homens - dois dos quais ainda estão vivos. A biografia revela também que ele jamais perdoou o líder muçulmano Elijah Muhammad por ter engravidado uma antiga paixão sua de juventude.

PRÊMIO

Finalistas do Goncourt

O Prêmio Goncourt, o mais tradicional da França, será disputado entre escritores veteranos e autores da novíssima geração. No dia 3 de maio será anunciado o vencedor. Entre os finalistas estão Claire Castillon, Frédérique Clemençon, Bernard Comment, Kamel Daoud, Hubert Haddad e Gilles Perrault. O mais radical entre os seis é o tunisiano Haddad, autor de Nouvelles du Jour et de La Nuit. A mais nova é Claire Castillon, que concorre com Les Bulles, mas o mais cotado é mesmo o maduro Gilles Perrault por Les Deux Français... et Autres Récits.

MANUSCRITOS

Briga por Cioran

Após anos de disputas judiciárias, os arquivos do escritor e filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995), cujo centenário de nascimento transcorreu no dia 8, foram comprados por um rico empresário patrício, Georges Brailou, num leilão realizado na semana passada. Ele comprou e doou para a Romênia os manuscritos do autor descobertos em 1998 - entre eles os originais de Do Inconveniente de Ter Nascido, que será publicado pela Rocco, editora que relança em breve outros títulos do autor. O romeno Brailou pagou mais de 400 mil pelo conjunto de documentos.

SHAKESPEARE

Tendências suicidas

O filósofo francês René Girard já analisou a inveja como motor dos personagens shakespearianos. Agora chegou a vez do árabe Ra"ed Ali Al-Qassas, que dá aulas no Qatar, de revelar sua teoria no recém-lançado livro Resolution and the Briefest End: Suicide in Shakespeare"s Tragedies. Segundo ele, uma tragédia de Shakespeare sem suicídio é simplesmente "inconcebível". Ele analisa seis delas na obra: Hamlet, Macbeth, Rei Lear, Timão de Atenas, Otelo e Júlio César.

ECO

Mais uma polêmica

Depois de comparar Berlusconi a Hitler, provocando protestos do governo italiano, Umberto Eco causa polêmica com seu novo livro, O Cemitério de Praga, que deve ser lançado no Brasil em agosto. A professora Lucetta Scaraffia acusou o autor de "forçar a leitura" de coisas desagradáveis sobre os judeus. O rabino romano Riccardo Di Segni fez coro às críticas ao livro, sobre os protocolos dos sábios do Sião.

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