Babel

EXPOSIÇÃO

, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2011 | 00h00

A inédita e corrosiva lista de Mencken

A Morgan Library de Nova York inaugura em junho uma exposição de listas curiosas. Feitas por escritores e artistas, uma delas aparece em carta inédita do jornalista, crítico e editor H. L. Mencken (visto ao lado na caricatura de Edward Hemingway, publicada no divertido Guia de Drinques, Zahar, 2009). A lista de Mencken (1880-1956), endereçada em 1927 ao pintor Charles Green Shaw, inclui, entre outros itens, seus drinques favoritos (conhaque com creme de menta branco era o preferido do jornalista, cujos textos podem ser lidos em O Livro dos Insultos).

É divertido ler a relação das 29 coisas que o americano Mencken preferia e detestava. Seu bordão, "Bebo exatamente o quanto quero, e um drinque a mais", faz parte dela. Mencken diz que é supersticioso (detestava o número 13 por ser a data de morte da mãe e do pai), defende que o estado natural de um homem que pensa é a depressão e afirma não ter a mínima fé no progresso. "A espécie humana é incuravelmente idiota", decreta. E ele, admite, era muito preguiçoso e vaidoso.

MITO

Rainha em dobro

A morte de Liz Taylor não provocou os lançamentos, mas, curiosamente, dois livros sobre Cleópatra, a rainha do Egito eternizada no cinema pela atriz americana em 1963, acabam de chegar às livrarias. O primeiro, da americana Stacy Schiff (Cleópatra: Uma Biografia, Editora Zahar), mostra a rainha não como um vulcão sensual, mas uma mulher disciplinada e consciente de seu papel político. Júlio Cesar, segundo a autora, ficou tão impressionado com o que viu no Egito que não hesitou em copiar o modelo de sua biblioteca pública e empreender reformas em Roma. Stacy, ganhadora do Pulitzer, vendeu os direitos para o cinema e o filme deverá ser realizado ainda este ano com David Fincher (A Rede Social) na direção e Angelina Jolie no papel-título. O outro livro, Cleópatra (Editora Contexto), escrito pela jornalista brasileira Arlete Salvador, opta por um olhar desmistificador - e didático.

BIBLIOTECA

Sonho universal

O esforço faz lembrar o dos colaboradores do filósofo Diderot na elaboração de sua enciclopédia, que organizaram 33 volumes com tudo - ou quase tudo - o que se sabia na época do Iluminismo. A Europeana, web site com cópias de 15 milhões de obras de arte, livros, música e vídeo, está servindo de modelo para um projeto de caráter não comercial de instituições americanas como a Biblioteca do Congresso e universidades, interessadas em criar uma Biblioteca Universal digitalizada num único portal, agora que o Google foi proibido por um juiz federal americano de colocar na rede seus milhões de livros escaneados.

FILOSOFIA 1

Pensador da hora

Kantiano fiel, o filósofo francês Eric Weil (1904-1997) é mesmo o pensador da hora. Além de ser tema de um colóquio internacional que começa dia 9 de maio no Ceará, ele tem dois de seus livros lançados durante o encontro pela Editora É, Hegel e o Estado (de 1950) e Filosofia Moral (de 1961). E estão no prelo pela mesma editora outros dois títulos, Lógica da Filosofia (1950) e Problemas Kantianos (1963). Sua filosofia, em resumo, defende que a moral por vezes se opõe às aspirações naturais do homem, daí a necessidade de o indivíduo agir submetendo-se às leis concretas da comunidade em que vive - e de maneira responsável. Uma grande lição em tempos hedonistas.

FILOSOFIA 2

Messiânicos

No fim de maio a Editora Perspectiva coloca no mercado Testemunhas do Futuro - Filosofia e Messianismo, de Pierre Bouretz, reflexões sobre religião de pensadores de origem judaica do século passado, de Hermann Cohen a Lévinas, passando por Walter Benjamin e Leo Strauss (que terá suas principais obras lançadas pela Editora É). A expectativa da vinda de um Messias no fim dos tempos ocupa tanto o pensamento de Benjamin como o de Cohen, que acreditava numa escatologia da paz universal.

INTERNET

Leituras Sabáticas

Marcelo Rubens Paiva lê trechos de Ua:Brari no endereço estadão.com.br/e/S2

Antonio Gonçalves Filho e Lúcia Guimarães

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