Babel

Ousadias dos veteranos Wollner e Hélio de Almeida

Raquel Cozer e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2011 | 00h00

Dois mestres do design brasileiro, os veteranos Alexandre Wollner, 83 anos, que acaba de ser premiado pela APCA, e Hélio de Almeida, 67 anos, assinam o visual de duas coleções lançadas por editoras que ganham projeção no País, a É Realizações e a Amarilys. Wollner, autor, entre outros símbolos, do original do Banco Itaú (cujas cores foram depois alteradas), criou a identidade visual da É (o logo verde ao lado) e agora responde pelo projeto gráfico da coleção dedicada ao filósofo francês René Girard. Hélio de Almeida, responsável por inúmeras capas das revistas Veja e IstoÉ, assina o projeto e as ilustrações de uma coleção de clássicos russos lançada pela Amarilys. Os primeiros volumes trazem traduções diretas de O Duelo, de Chekhov (à dir.), e A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi. As capas de Almeida são ousadas: exclusivamente tipográficas, não exibem o título nem o nome dos autores, apenas uma letra, para instigar o leitor.

POLÍTICA

Páginas diplomáticas

"Temos que parar a matança", repetia um frustrado Kofi Anan, secretário-geral da ONU em 2006, em conversa telefônica com Celso Amorim, referindo-se à invasão israelense do Líbano. "A ONU permanece inerte. A ONU, obviamente, não responde ao que o secretário-geral deseja", afirmou o então ministro das Relações Exteriores do Brasil, pouco tempo depois, ao relatar o diálogo em aula inaugural para a turma que entrara naquele ano no Instituto Rio Branco. Bastidores da política internacional como esse integram Mensagem aos Jovens Diplomatas, compilação de palestras de Amorim no Rio Branco, que sai no próximo semestre pela Benvirá. Leitura indicada para os 10 mil candidatos que todo ano concorrem a uma vaga no Itamaraty - e, claro, para quem anda atrás das notas que o WikiLeaks não publicou.

FICÇÃO

Tetralogia minúscula

O romance o nosso reino - a narrativa de um garoto tentando entender o mundo -, que inaugurou, em 2004, a "tetralogia das letras minúsculas" do angolano valter hugo mãe (foto), acaba de ser comprado pela Editora 34, com previsão de lançamento para janeiro de 2012. Quase desconhecido no Brasil antes da confirmação para a Flip deste ano, o autor, destaque da atual literatura feita em Portugal, teve publicado por aqui em janeiro o remorso de baltazar serapião, pela mesma editora, comparável à estreia de Raduan Nassar (Lavoura Arcaica) no mercado editorial brasileiro. Em junho, a Cosac Naify publica a máquina de fazer espanhóis.

ENSAIOS

Contemporâneos

Com título emprestado dos críticos Gianfranco Contini e Gilda de Mello e Souza, a coleção Exercícios de Leitura, organizada por Eduardo Sterzi, estreia em julho pela Portal com reflexões sobre literatura brasileira contemporânea. Os primeiros lançamentos pertencem à serie Autores e incluem títulos como Caio Fernando Abreu, por Jaime Ginzburg; Sebastião Uchoa Leite, por Luiz Costa Lima, e Rubem Fonseca, por Maurício Santana Dias. Em 2012 começa a série Questões, examinando temas como o negro no Brasil.

CIDADES

Coleção ambiciosa

Los Angeles - The Architecture of Four Ecologies, do historiador Reyner Banham, abre coleção da WMF/Martins Fontes que busca integrar áreas como arquitetura, artes e sociologia para decifrar o ambiente urbano. Organizada pela professora Ana Luiza Nobre, Cidades vai intercalar textos inéditos no Brasil com clássicos. O primeiro título dividiu críticos em 1971: alguns viram nele o antecedente de Learning from Las Vegas (1972), de Robert Venturi, Denise S. Brown e Steven Izenour; já Mike Davis acusou-o de ser "uma apreciação pós-colonial de Los Angeles, escrita por um britânico de férias".

JUVENIL

Anjos caídos

Descendentes de um cruzamento híbrido entre anjos e mortais, os nefilim já substituem os vampiros no imaginário dos leitores jovens. Tormenta, de Lauren Kate, a sequência de Fallen, que vendeu 100 mil exemplares só no Brasil, chega com a mesma tiragem pelo selo Galera, da Record.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.