Babel Iluminuras abre editora em agosto

A Iluminuras faz 25 anos em novembro, mas as comemorações começam um pouco antes, em agosto, quando seu fundador Samuel Leon inaugura uma nova editora, que estará ligada à primogênita. A Mompracem fará livros para crianças e adolescentes e tentará fugir das obras que têm por princípio "ensinar" alguma coisa aos seus leitores. "Chega de literatura boazinha; vamos editar livros de aventura e obras voltadas à diversão", comenta o editor. Por lá, também sairão títulos dedicados à pensar a questão da literatura infantil e juvenil e da leitura. O nome da nova editora remete à coleção Ilha dos Piratas da Malásia, de Emilio Salgari, no catálogo da Livros da Tribo, selo infantil da Iluminuras. A estreia será com O Gato e o Diabo, conto infantil escrito pelo autor de Ulysses, James Joyce. As ilustrações, como a que se vê ao lado, são da ítalo-brasileira Michaella Pivetti, e a tradução e apresentação, de Dirce Waltrick do Amarante. Ainda este ano será publicado Semente (título provisório), da artista plástica Edith Derdyk. Até meados de 2013, a Mompracem deve ter 20 títulos em catálogo - de autores brasileiros e estrangeiros. Infantis continuam sendo publicados pela Iluminuras.

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h08

EMPREENDEDORISMO

Trocando cifras por letras

Carlos Camargo de Colón estudou História na Columbia University, mas trabalhou 20 anos no mercado financeiro, com passagens pelo Morgan Stanley e UBS, por Londres e Nova York. Vive agora uma nova fase, voltando-se outra vez para a área de Humanas. "Há algum tempo eu estava de férias na Europa e vi alguns livros interessantes que gostaria de dar de presente a um sobrinho, mas como ele não lê francês, busquei algo semelhante aqui no Brasil. Não encontrei nada parecido e resolvi ser prático na linha do 'quem quer faz', e fui atrás dos direitos", relata.

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Este mês, saiu o primeiro título da sua Corvara: a HQ A Vida de João Paulo II. Será uma trilogia. Mas Colón não quer restringir o catálogo a obras religiosas, e deve lançar até seis livros por ano. Esta é hoje sua principal atividade e ele está otimista. "Com a estabilização econômica, o Brasil tem visto um crescimento grande de seu PIB per capita e um dos resultados é a migração social para cima. As pessoas vão se educar mais e ler mais."

INTERCÂMBIO

Desbravando a Alemanha

Profissionais da FTD, Callis, Escala, Cortez e Todolivro partem para a Alemanha no próximo dia 11 para uma viagem de seis dias com uma missão: conhecer editoras de livros infantis e juvenis para possivelmente fazer negócios - comprar ou vender direitos de obras. Eles passam por Frankfurt, Munique e Colônia. Um encontro com ilustradores também está no roteiro organizado pela Feira do Livro de Frankfurt para o Projeto Brazilian Publishers, da Câmara Brasileira do Livro e Agência Brasileira de Promoção e Exportação (Apex).

HOMENAGEM

Boyd, William Boyd

É da Alfaguara o direito de editar a nova aventura de James Bond. O livro, ainda sem título, está sendo escrito por William Boyd a partir do convite da Fundação Ian Fleming, dedicada ao criador da série. Boyd é o terceiro autor a encarnar Fleming (1908-1964). Sai em inglês em 2013. Aqui, não tem previsão.

FILOSOFIA

Quer que desenhe?

Filosofia é o tema do próximo título da coleção Entendendo, que a Leya lança em duas semanas. Estão previstos ainda títulos que expliquem, em texto e ilustrações, o pensamento de Žižek, a psicologia e a psicanálise.

TRADUÇÃO

Polêmica declarada

Em sua última edição, o Sabático publicou uma longa entrevista com o publisher Sergio Machado, do Grupo Editorial Record. Nela, ele se referiu a um histórico episódio: a publicação de Os Insaciáveis, de Harold Robbins, em agosto de 1964. Na capa, o nome de Nelson Rodrigues constava como tradutor da obra. Mas Nelson não sabia inglês. Dois fatores levaram editora e "tradutor" a tomarem essa decisão: a Record queria chamar a atenção para o livro e Nelson precisava de dinheiro. A declaração causou polêmica entre os tradutores. Sonia Rodrigues, filha do escritor, e Sergio Machado comentam o caso:

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"No livro Nelson Rodrigues por Ele Mesmo, meu pai se confessa um narcisista muito relapso na administração da própria fama.

Em outra passagem, informa que suas crônicas são as mais saqueadas do País, que vários jornais publicam e poucos pagam. Ele conta também quanto se matava de trabalhar para bancar as várias manutenções dele. Talvez essas traduções estivessem nesse contexto. Aparentemente, a Record pagou ao meu pai para usar a imagem dele para referendar o texto de um autor norte-americano. Ninguém sabe se pagou apenas o direito de imagem ou se meu pai leu o texto traduzido e mexeu no texto, não é mesmo? Não tenho informações se os livros continuam sendo publicados e se os direitos de tradução estão sendo remunerados."

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"Estamos falando de uma outra época, do mercado editorial de 50 anos atrás, quando as regras e os procedimentos eram diferentes. É importante manter a perspectiva histórica. Evidentemente, este tipo de prática seria impensável nos dias de hoje."

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