Babel Hachette ensaia volta ao Brasil

Na última Feira de Frankfurt, Arnaud Nourry, presidente da Hachette, comentou que só é possível uma editora estrangeira sobreviver no mercado brasileiro se ela fizer livro didático. Por isso, comprou 50% da Escala Educacional em 2007. A experiência foi infeliz, o negócio foi desfeito e na partilha, a operação brasileira da Larousse, uma das queridinhas do grupo, ficou com a Escala. Lá mesmo na feira, ele comentou que o programa de compras do Governo é transparente mas político, o que diminui a chance de uma francesa ser selecionada. Arrematou dizendo que não tinha interesse nenhum em voltar ao País tão cedo. Mas eis que a história muda de figura. A Pearson, número 1 no mundo no ranking das editoras, comprou no fim de 2011, através da Penguin, 45% da Companhia das Letras, uma boa vendedora de obras para o Governo, já com a ideia de ampliar a presença das duas nas escolas. A Europa e os Estados Unidos estão em crise. O Brasil tem 192 milhões de habitantes e um mercado leitor ainda por se formar. Mandou, então, que a Anaya, sua editora que é líder no segmento educacional da Espanha, e com representação na América Latina, fosse a São Paulo e ao Rio essa semana para conversar com possíveis interessados em uma parceria com o 6.º maior grupo editorial do mundo. Mas nem só as exclusivamente didáticas, ou com total DNA brasileiro, foram procuradas. Uma paulistana com best-sellers na área de negócios e autoajuda, por exemplo, está entre as sondadas. Quem edita obras gerais e se aventura no lucrativo segmento de didáticos também estava na lista de visita. A Hachette já tem parte de uma editora na Rússia e uma subsidiária na Índia, onde publica em inglês, e fez uma recente joint-venture na China. Agora, só falta voltar ao Brasil e ir à África do Sul para estar em todos os países emergentes.

O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2012 | 03h07

INTERNACIONAL

Passaporte e calculadora

A Publishers Association, do Reino Unido, organiza nova excursão literária para julho. Destino: Flip, em Paraty. A história começou em setembro de 2011, quando um grupo de profissionais britânicos veio ao País sem muita pretensão. Queria apenas conhecer o mercado editorial local.

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Viagens assim sempre resultam em bons negócios e hoje, quatro meses depois, Andy Hine, diretora de direitos autorais da Little, Brown, do grupo Hachette, já contabiliza 12 títulos vendidos para editoras brasileiras, entre as quais a Record e a Saraiva. Com sede em Londres, ela publica livros que compreendem das açucaradas histórias de Nicholas Sparks à biografia de Steve Jobs, dois grandes sucessos internacionais.

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Nessa mesma visita, Emma Hayley, diretora da SelfMadeHero, não só apresentou a editora especializada em graphic novel como aproveitou para comprar um título da Barba Negra. Morro da Favela, de André Diniz, vai se chamar Picture of a Favela e o lançamento está marcado para junho.

DIREITOS

Quercus depois do carnaval

Michele Young, a gerente de direitos autorais da inglesa Quercus, que fala um português com simpático sotaque, chega a São Paulo em 27/2 para visitar editoras e, claro, tentar vender direitos. Está aberta, garante, a sugestões de bons nomes nacionais que possam fazer sucesso na Inglaterra, como Luis Fernando Verissimo, que terá Os Espiões lançado por ela em novembro.

DITADURA

Para entender o País

O alemão Mario Schenk, em São Paulo para terminar tese sobre literatura marginal, volta a Berlim na segunda-feira e leva na mala K., romance de Bernardo Kucinski sobre a ditadura militar. Vai editá-lo e espera contar com a bolsa da Biblioteca Nacional.

FILOSOFIA

Sartre, o polêmico

O filósofo marxista István Mészáros avalia que nenhum intelectual foi alvo de tantos ataques quanto seu contemporâneo Jean-Paul Sartre. "Em 1948, nada menos do que o governo soviético de Stalin assume posição oficial contra o filósofo e, no mesmo ano, um decreto especial do Santo Ofício coloca no Index a totalidade de suas obras. Como é possível que um indivíduo sozinho, tendo a pena como única arma, seja tão eficiente como Sartre numa época que tende a tornar o indivíduo completamente impotente?", questiona o húngaro em A Obra de Sartre: Busca da Liberdade e Desafio da História, que a Boitempo lança em maio.

BEST-SELLER

Sucesso depois do filme

Acontece de um jeito ou de outro: um livro faz sucesso e vira filme ou ele chama a atenção de algum diretor, que o adapta e ajuda a transformá-lo em best-seller. Foi esse segundo caso o que ocorreu com David Foenkinos, o número 4 do ranking do Le Figaro de escritores que mais venderam livros na França em 2011. Dos seus 967 mil exemplares, mais de 700 mil eram da versão de bolso de A Delicadeza, levado às telas e com Audrey Tatou como protagonista. O livro foi editado pela Rocco em 2011. Este ano, ela lança Les Souvenirs, finalista do Goncourt 2011.

JUVENIL

Velha nova história

Apostando no filme Branca de Neve e o Caçador, com Kristen Stewart (Crepúsculo) e Charlize Theron (Doce Novembro), a Novo Conceito lança em junho o livro homônimo de Lily Blake que deu origem ao longa. Outra releitura a caminho é Adão e Eva. Katherine Applegate, da série Animorphs (Rocco), escreve a versão de Eva. E Michael Grant, de Gone (Record), conta a história a partir do ponto de vista de Adão. A previsão de lançamento é para 2013.

FICÇÃO

Philip K. Dick e a sci-fi

Mais três títulos de ficção científica de

Philip K. Dick chegam ao Brasil pela Aleph. Flow My Tears, The Policeman Said sai em maio. Falta definir os outros. Ele é pouco divulgado aqui, mas dois filmes baseados em seus livros são velhos conhecidos dos brasileiros: Blade Runner e Minority Report.

MARIA FERNANDA RODRIGUES

mariaf.rodrigues@grupoestado.com.br

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