Babel Cultura entra na briga pelos didáticos

O setor de livros didáticos é tão promissor quanto arriscado. Se por um lado é o mais lucrativo - responde por 50% do faturamento do mercado editorial brasileiro, estimado pela Fipe no ano passado em R$ 4,2 bilhões -, por outro dá trabalho e retorno menor às livrarias. Um livro do chamado segmento de obras gerais é vendido pela editora à livraria com 50% de desconto. Mais: na maior parte das vezes, eles são consignados. Ou seja, o que ninguém quis comprar volta para a editora sem prejuízo para quem tentou passá-lo para a frente. Com os didáticos não há consignação. O que encalha até pode ser devolvido, mas o dinheiro pago vira crédito para ser trocado por outro material, que também pode encalhar. Quanto ao desconto, ele cai para 35%. Outra desvantagem é que cada vez mais escolas entram na concorrência com as lojas especializadas e vendem os livros adotados diretamente aos pais na hora da matrícula. Talvez por isso a Livraria Cultura tenha abandonado por tanto tempo a venda do produto. Mas mudou de ideia. Nos últimos meses ela pediu os catálogos das editoras e volta agora à briga, cercada, claro, de alguns cuidados. Quem quiser comprar dela deve encomendar a lista diretamente nas lojas ou no site. O pagamento é feito no ato da encomenda. E a entrega, só depois. Como o recomeço é tímido, a equipe não foi reforçada.

O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2012 | 03h07

PRÊMIO

Menos poetas

Concursos para poetas são raros. Mais raros ainda são os que dão valores tão altos quanto o que o recém-criado Prêmio Moacyr Scliar vai dar no dia 8 de fevereiro: R$ 150 mil. As 152 inscrições, no entanto, ficaram aquém das registradas nas outras premiações que mobilizaram editoras e escritores em 2011. O Portugal Telecom (R$ 100 mil) recebeu 380 inscrições. O São Paulo de Literatura (R$ 200 mil), 221. Já no Passo Fundo Zaffari & Bourbon (R$ 150 mil), foram inscritos mais de 200 livros.

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A avaliação dos organizadores é positiva e Ricardo Silvestrin, diretor do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul, destaca a boa acolhida dos autores e editoras de todo o País. A próxima edição vai premiar livros de contos. Romances não entram.

FICÇÃO

Nobel em julho

Prêmio Nobel de Literatura de 2002, o húngaro Imre Kertész, que viveu em campo de concentração nazista entre 1944 e 1945, terá o livro Romance Policial editado no Brasil em julho pela Tordesilhas. Dele, o leitor brasileiro já conhecia A Bandeira Inglesa, da Planeta, e Liquidação e A Língua Exilada, da Companhia das Letras. No mesmo mês, a editora também lança Luxúria, o segundo que publica da Nobel de 2004, a austríaca Elfriede Jelinek. O primeiro, A Pianista, saiu no ano passado.

INTERNET

Leituras Sabáticas com Tatiana

A escritora Tatiana Salem Levy lê trechos do seu mais recente romance Dois Rios (Record) no Leituras Sabáticas, que vai ao ar hoje. Veja em estadão.com.br/tatianalevy.

TRADUÇÃO

Malandragem exportada

João Antônio estreou na literatura em 1963, aos 26 anos, com o livro de contos Malagueta, Perus e Bacanaço e por causa dele ganhou, naquele mesmo ano, dois prêmios Jabuti. Uma nova edição foi lançada pela Cosac Naify em 2004 e acabou chamando a atenção da editora argentina Adriana Hidalgo. Em março, a tradução que Claudia Solans fez para o espanhol da obra que tem três malandros paulistas como protagonistas chega às livrarias de lá.

BIOGRAFIA

A vida da imperatriz

Catarina, a Grande foi considerado pelo The New York Times e pela Publishers Weekly como um dos cem melhores livros de 2011. Ele foi escrito pelo especialista em história russa Robert Massi, de 82 anos, que já retratou a vida de outros personagens históricos e ganhou, em 1981, o Pulitzer por Peter, the Great. Essa nova obra, que chega ao Brasil em novembro pela Rocco, revela a história da princesa nascida na Prússia que se tornou imperatriz da Rússia aos 16 anos.

GUIA

501...

A dica é para quem não vive sem uma lista do que deve ver ou fazer antes de morrer, mas que não vai ter tempo de ler 1.001 livros ou ouvir 1.001 discos (nem fígado para beber 1.001 vinhos), como alguns títulos lançados recentemente no Brasil propõem - e são sempre boas opções de presente. A Larousse/Lafonte prepara o lançamento de mais cinco livros da coleção 501: Carros (abril), Eventos e Cidades (maio) e Desastres Devastadores e Ilhas (setembro).

TEATRO

Do palco à página

Tradicionalmente pouco retratado em livro, o teatro terá destaque nas prateleiras no primeiro semestre de2012. Em abril, a Barcarolla publica O Teatro de Mário Bortolotto e a Tordesilhas, O Homem com Uma Flor Na Boca / Esta Noite Se Improvisa, de Pirandello. Ainda sem data marcada, saem pela Iluminuras Péricles, Príncipe Tito, de Shakespeare, e Do Teatro, de Meyerhold. A Globo lança uma coletânea dos escritos mais recentes de Beckett em fevereiro.

MARIA FERNANDA RODRIGUES

mariaf.rodrigues@grupoestado.com.br

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