Babel

DESCOBERTA

Raquel Cozer e Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Borges e Vinicius em diálogo sobre a beleza

Com a serrote #4 saindo do forno por estes dias, o Instituto Moreira Salles já tem uma pepita garantida para a quinta edição da revista, que chega às livrarias apenas em julho. Trata-se de um bate-papo entre Vinicius de Moraes e Jorge Luis Borges, datado de 16 de setembro de 1975 e quase nada conhecido por aqui. A transcrição do diálogo foi localizada no anuário do La Vanguardia pelo poeta Eucanaã Ferraz, consultor literário do IMS, e terá agora a primeira tradução para o português. É uma conversa organizada pela jornalista argentina Odile Baron Supervielle e que Vinicius trata de tornar descontraída. Em meio a discussões sobre morte, amor e bebida, o poetinha pergunta ao portenho (já cego àquela altura) como ele percebe a beleza feminina. O escritor responde que pode senti-la, mas que não a considera fundamental. "Há feias que são amadas", diz, ao que Vinicius reage: "Mas muito, muito feias, não, Borges. Há feias que não têm remédio."

PARCERIA

Troca de experiências

O editor Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, acaba de voltar de uma espécie de "estágio" de mais de um mês na Penguin americana, com sala própria na empresa e encontros com responsáveis por vários braços do grupo. No retorno ao País, deu palestra sobre a viagem aos editores sob seu comando - alguns deles também devem passar uma temporada em Nova York.

Os primeiros títulos da Penguin Companhia Clássicos, parceria que as editoras brasileira e britânica fecharam no ano passado, saem por aqui no próximo semestre. Um deles será uma coletânea de textos de Joaquim Nabuco organizada e comentada por Evaldo Cabral de Mello. Schwarcz também sugeriu três clássicos brasileiros para a Penguin, que se interessou em editá-los nos EUA: os nomes são segredo bem guardado.

RETORNO

O Holocausto, por Yann Martel

Previsto para sair em língua inglesa no mês que vem, o romance Beatriz e Virgílio, do canadense Yann Martel, já está em tradução pela Nova Fronteira. O autor não publicava nada desde A Vida de Pi (Rocco), que lhe rendeu em 2002 o Booker Prize e uma suspeita internacional de ter plagiado Max e os Felinos (L&PM), do gaúcho Moacyr Scliar. Complexa alegoria sobre o Holocausto, Beatriz e Virgílio começa com uma sátira ao mercado editorial. A trama inclui um escritor premiado que sofre bloqueio criativo após ser acusado de plágio.

TRADUÇÃO 1

Como funciona a ficção

A Cosac Naify comprou os direitos de How Fiction Works, do celebrado crítico literário da New Yorker James Wood. Lançado nos EUA em 2008, o livro, que busca destrinchar os mecanismos da criação literária, foi considerado um dos melhores títulos do ano pela Economist, mas teve recepção negativa de veículos como o New York Times. O jornal encerrou resenha sobre a obra com um ácido "há uma questão que este volume responde de forma conclusiva: por que leitores cochilam". Não menos enfático em suas próprias opiniões, Wood analisa Tolstói, Henry James, Don DeLillo e outros.

TRADUÇÃO 2

Mosqueteiros na íntegra

Depois de pôr nas livrarias O Conde de Monte Cristo, com tradução na íntegra e comentários de André Telles e Rodrigo Lacerda, a Zahar acaba de fechar com a dupla um trabalho nos mesmos moldes para outra obra de Alexandre Dumas, Os Três Mosqueteiros - em geral, só encontrada em adaptações. A mais recente edição integral, traduzida por Fernando Py para a Ediouro, está fora de catálogo. A da Zahar sai em novembro.

INTERNET

França x Google

A batalha entre a França e o Google em torno da digitalização de livros saiu dos gabinetes de Bruxelas e do Silicon Valley e ganhou versão literária na França - e com duelo no enredo. O presidente da Biblioteca Nacional da França, Bruno Racine, e seu antecessor no cargo, Jean-Noël Jeanneney, dois nomes irrepreensíveis do mundo cultural francês, trocam farpas em ensaios recentes.

Os livros são Google et le Nouveau Monde, de Racine, e Quand Google Défie l''Europe, de Jeanneney. O primeiro defende o diálogo com a gigante americana, o segundo prega resposta organizada da União Europeia, uma espécie de declaração de independência digital. São ideias que se confrontam, sem estocadas pessoais - ou quase sem.

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