'Azul Resplendor' revela os bastidores do teatro

Caricaturas são verdades exageradas, deturpadas. Mas nem por isso deixam de ser verdades. Em Azul Resplendor, que estreia sábado, 20, o dramaturgo Eduardo Adrianzén carrega nas tintas ao retratar os bastidores de uma trupe de artistas. Traz a diva recolhida há anos que retorna à ativa, o diretor histriônico e prepotente, os jovens atores em busca de fama e holofotes. "É uma peça diabólica. Tenho certeza que nas coxias dos teatros gregos, as coisas já aconteciam desse jeito", comenta Elcio Nogueira Seixas, que divide a condução do espetáculo com Renato Borghi.

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, Agência Estado

17 de julho de 2013 | 09h25

É a primeira vez que os dois atores - que contracenam há 20 anos - se unem como diretores. Para selar a parceria, a obra escolhida foi um título inédito no Brasil. Entre 2008 e 2009, ambos percorreram a América Latina para fazer um mapeamento das artes cênicas no continente. Depararam-se com centenas de peças e artistas desconhecidos. Entre eles, o peruano Eduardo Adrianzén. Azul Resplendor foi escrita em 2005 e alcançou imenso sucesso ao desnudar as vaidades e frustrações que existem por trás das cortinas. "Quando a gente pensa no Peru, imagina um teatro mítico, folclórico. Esse, ao contrário, é um texto muito urbano, que poderia ter sido escrito em qualquer lugar. Assim, existem vários outros textos na América Latina, que rompem com esses estereótipos", observa Seixas.

Na trama, Eva Wilma vive Blanca Estela. Afamada atriz, ela estava afastada dos palcos havia 30 anos, mas resolve voltar à cena após receber um convite de Tito Tápia. O personagem, interpretado por Pedro Paulo Rangel, é um ardoroso fã de Blanca. Também é ator, mas, ao contrário dela, passou a vida fazendo papéis menores, breves participações na televisão e em espetáculos que não lhe renderam reconhecimento ou satisfação. Além de intérprete inexpressivo, Tito é um dramaturgo de qualidade duvidosa. E, ao receber uma herança da mãe, decide procurar sua paixão platônica e convidá-la a protagonizar uma obra sua.

Blanca Estela aceita o convite. No seu retorno, quem vai conduzi-la será o "grande diretor" do momento, o incensado Antônio Balaguer (Dalton Vigh). Ao seu redor, todos o idolatram (ainda que o desprezem secretamente) e ele acredita estar prestes a "reinventar" o teatro.

"Não quer dizer que todos sejam assim. Mas eu já vi coisas muito parecidas por aí, diretor que tem coragem de dizer que é o melhor do teatro brasileiro, que acredita que a arte moderna passa a existir a partir da sua presença", conta Borghi.

AZUL RESPLENDOR - Teatro Renaissance. Alameda Santos, 2.233, tel. 3069-2286. 6ª, 21h30; sáb., 21 h; dom., 18 h. R$ R$ 80. Até 6/10. Estreia sábado, 20.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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